quarta-feira, 5 de julho de 2017

Entrevista com o Zineiro Renato Lauris Jr.

O papo de hoje é com Renato Lauris Jr., zineiro morador de Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo. Além disso ele está preparando uma enciclopédia do punk nacional. Leia e se ligue!
Renato Lauris Jr. - O Zineiro
Você é um apaixonado por zines, mas é também um professor da rede pública. Quando foi que surgiu esse fascínio?  E dá para utilizar essa ferramenta dentro de sala de aula?
Renato Lauris Jr. - Meu interesse por zines começou por volta de 1988/1989, numa pequena cidade do interior paulista, numa época que as informações undergrounds chegavam lentamente a estas terras, mas nunca impossibilitando termos informações, mesmo com as dificuldades. Uma época de trocas de cartas, sem existência de internet e redes sociais, nem pensar em celulares. O interesse por este tipo de publicação surgiu ao conhecer a música punk, que como deve ter acontecido com muitos foi através de fitas K7, que algum amigo ia para a capital (SP) e trazia um som, diferente daquele rock nacional e internacional que ouvíamos nas rádios. De repente apareceram os primeiros discos punks de bandas como Garotos Podres, Cólera, Ratos de Porão, coletâneas como o Ataque Sonoro. 
Mas foi através da coletânea sueca Afflicted Cries in the War Darkness, quando enviamos uma carta para a New Face Records, que nos mandou um catálogo, e ali através de compra adquirimos alguns vinis e o W. C. zine.
Este primeiro contato com um fanzine foi importante, Pois vimos que nós também podíamos fazer um, expressar nossas angústias e revoltas, tendo uma simples máquina de escrever, ou mesmo de forma manuscrita, e algumas folhas de sulfite, além de falarmos e divulgarmos as bandas que curtíamos.
Eu e um amigo, lançamos o nosso primeiro zine "Shit Noise" em abri de 1991, depois da tentativa frustrada de montar uma banda de hardcore, a Gritos Melancólicos.
Lancei outros zines na sequência, com outro camarada "O Escalpador" zine. Com o tempo vieram outras publicações, além do contato com outras destes impressos artesanais e punks, geralmente.
Atualmente, um pouco mais velho, e para susto de alguns, mantendo o espírito jovem em contraste com a idade, leciono aulas de História na rede pública estadual do estado de São Paulo e vejo os fanzines como uma alternativa e agente potencializador pedagógico, num sistema educacional falido, onde a cultura do faça você mesmo e os recursos de imagens superam as dificuldades das crianças e adolescentes que, entra ano e sai ano, vem mostrando grande dificuldade de aprendizagem e grande defasagem cultural, defasagem esta preservada e mantida devida ao sistema disciplinador e castrador mantido pelas escolas. É possível alcançar resultados positivos tendo os zines como instrumentos pedagógicos, já que estes desenvolvem a criatividade, proporciona o trabalho em equipe e colabora com as capacidades leitora e escritora, e a relação da linguagem escrita e imagética, tudo no esquema, papel, cola e tesoura, mas que fique claro, paciência, bom senso e bom humor são fundamentais para um bom resultado.
"Shit Noise"- Primeiro Zine
Nessa época você morava onde? Você disse que era difícil conseguir material em K7 e Vinil, fale mais um pouco sobre como era isso naquela época;
Renato Lauris Jr. - Residia na época em Agudos, pacata cidade interiorana a quase 400 km da capital paulista. Com o tempo conhecemos uma galera punk da cidade vizinha, cidade maior, Bauru, ai os contatos se estenderam, as afinidades são fodas. Para adquirir materiais naquela época dois fatores, que me lembro, eram essenciais: a paciência, o correio demorava um mês ou mais para entregar nossos pedidos; e uma espécie de rede de solidariedade, muitas vezes vinis comprados em conjunto, e outras vezes de forma individual e quem tinha o material gravava para o resto do pessoal. Ali neste compartilhar os informes, convidar amigos para ouvir som na casa, gravações de fitas K7, e xerox de zines, compreendo o punk, a partir dali, como um movimento, uma ação de união, entre os poucos punks que havia na região.
Vale mencionar também, que era época da abertura política, e é até hilário mencionar, mas um dos veículos que nos apresentou muitas bandas de punk rock e hardcore, que estragou muitos filhos e filhas foi a televisão. Havia um programa chamado Boca Livre, apresentado pelo Kid Vinil, e ele levou muita banda destes gêneros musicais para tocar lá, e o legal era que o programa era ao vivo, todas as segundas-feiras, às 19 horas, matei muita aula pra ver as novidades sonoras. 

A partir daí que você começa a falar sobre a cena punk no zines? Mas não era só sobre punk, o que mais vocês publicavam?
Renato Lauris Jr. - Em 1989 ou 1990, não me lembro ao certo, a Gritos Melancólicos não saiu do ensaio. Queríamos participar, estar envolvidos, colaborar com a cena punk “caipira”, depois disto vimos que uma forma de colaborar seria com a confecção de um zine, em abril de 1991, quando lançamos o "Shit Noise" zine. Nele expressávamos nossa insatisfação com a cidade em que vivíamos, fazíamos uma crítica ao governo Collor e apresentávamos as bandas que curtíamos, ali colocamos um texto sobre o Ramones e um histórico da banda sueca Crude SS (extraída do W. C. zine), além do release da banda de thrash metal local Expiring e um histórico, release (esperançoso) do Gritos Melancólicos. As cópias deste zine foram realizadas por um amigo que conseguiu burlar o escritório em que trabalhava e tirou várias cópias para nós que distribuímos na cidade e para alguns amigos de outras localidades. Este zine, infelizmente, ficou no primeiro número.
Já "O Escalpador" zine, mesclava bandas punks e metal, além de conter poesias, contos, e ilustrações. O que acho legal ao lembrar destes dois zines e ver uma evolução individual e coletiva,, houve uma melhora nos escritos, na organização da produção e até mesmo um evoluir nas idéias, onde incluíamos aquilo que estávamos lendo, deixando as ralas divagações e estas se tornando mais objetivas.

Então você entrou na faculdade. Isso foi em que ano? O que rolou a partir daí?
Renato Lauris Jr. - Em 1998 entrei na Unesp, na cidade de Assis, para cursar a faculdade de História. Ali conclui a graduação e anos depois fiz o mestrado, escrevendo a dissertação “José Oiticica: Reflexões e Vivências de um Anarquista”. 
Entrei na faculdade velho com 24 anos, nesta época graças aos fanzines, principalmente, e as letras panfletárias do punk, estava engatinhando no anarquismo. Como morava em uma cidade interiorana o material bibliográfico sobre anarquismo era bem escasso, então os fanzines foram as principais leituras tratando deste tema até então. 
Ali conheci um pessoal, poucos, mas estavam lá também interessados no anarquismo e insatisfeitos com a política estudantil na época numa disputa entra molecada do PT e do PSTU. Iniciamos um grupo de estudos, o Nelen (Núcleo de Estudos Libertários Espelho Negro), onde realizamos algumas ações, mas que por razões diversas teve vida curta. Alguns anos depois, se não me engano em 2000, formamos um novo coletivo o Canto Libertário, que realizou muitas ações legais, mas infelizmente também teve vida efêmera.
Mas na faculdade ainda, conheci uma galera que lia e discutia sobre literatura marginal, beatnicks, me aproximei e em meio a bebidas, leituras, cigarros e ideias, fizemos algumas publicações zineiras como o “Conheceu o Diabo e Visitou o Inferno”, “Com o Diabo no Corpo” e “Do Fundo da Gaveta”, foram experiências legais e agradáveis. Além destas publicações participávamos de saraus, o que era muito louco, enquanto o pessoal selecionava poemas do Fernando Pessoa, Manuel Bandeira entre outros, nós líamos nossos poemas autorais e até lançamos um manifesto, escrito pelo amigo Laerte, o “Manifesto do Desencanismo”, que eu li num sarau, este manifesto era simplesmente isto (o texto): “Estão lançadas as bases do desencanismo, ao tentar escrevê-las, desencanei!”, o mais louco foi um professor de psicologia que pensou em escrever uma tese sobre este movimento. (hahahaha)
  
Foi aí seu despertar para o anarquismo?
Renato Lauris Jr. - Eu tinha um conhecimento raso sobre o anarquismo através, principalmente, dos fanzines, que eu classifico como o engatinhar do anarquismo, na universidade no contato com outras pessoas interessadas no tema, uma vasta bibliografia que havia na biblioteca universitária, o encontro com novos e velhos militantes e o acesso a um acervo que se encontra no CEDAP (Centro de Documentação e Apoio A pesquisa) que existe naquele campus universitário, minha identificação com o anarquismo e o interesse por sua filosofia, história e lutas se desenvolveu e se mantém até hoje.
Costumo dizer que o punk foi minha primeira escola, a cultura do faça você mesmo, as rodas de conversas, a confecção de fanzines, a leitura de zines diversos, verdadeiros formadores de opinião e construtores de mentes críticas, escola esta que digo, que os alunos produzem seu próprio material de estudo e compartilham, minha segunda escola foi o encontro com velhos sindicalistas, que mesmo não sendo anarquistas, sempre cobraram de mim e de outros amigos iniciativas, posturas e atitudes, e na universidade com o vasto material anarquista que tive acesso e as pessoas com quem convivi e conheci, as trocas de idéias foram a minha terceira escola, e ainda continuo estudando.

Recentemente você lançou o Sobrevidas, que é em formato de livreto. Qual é a proposta desse projeto?
Renato Lauris Jr. - O SobreVidas classifico como uma revista/zine. É uma publicação que tem sua origem no formato zineiro, mas o acabamento final, feito pelo grande amigo Eduardo Medeiros, da Editora Artesanal Tumulto, um trabalho belíssimo, em que a publicação ficou com a cara de uma revista, mas não poderia abandonar o prazer zineiro de fazê-la, por isso revista/zine.
A proposta do SobreVidas é ser uma publicação que dê voz aos que não tem voz, um diálogo libertário entre entrevistador e entrevistado, entre publicação e leitor. Até então teve três números lançados, tratando através de entrevistas, ou troca de idéias, de questões sociais, de gênero, sexualidade, contracultura, alimentação, educação, etc....
Sobrevidas: Saiba mais aqui!
Você também tem muitas parcerias em projetos de outras pessoas, outros autores, músicos, poetas. Fale um pouco mais sobre isso;
Renato Lauris Jr. - Talvez seja um cara inquieto, a cabeça sempre pensando em algo, o consciente e o inconsciente em intenso agir. Depois que lancei o SobreVidas, veio um lance saudosista e decidi lançar um zine de troca de idéias, entrevistas com bandas undergrounds, mas que não estivessem situadas nos grandes centros. Ai rolou contato e conversações com Cama de Jornal (Vitória da Conquista/BA), Acromo (Agudos/SP), A Phoyce (Guarujá/SP), Horda Punk (União da Vitória/SC) e Autoboneco (Bauru/SP). Esta publicação foi o "Cultura Carcamana" zine, que teve número único, até então.
A convite do amigo Márcio Sno, após uma troca de idéias, participei do zine "Odair Jozine", uma homenagem ao músico Odair José, colaborei com o texto “Odair José, O Subversivo”, foi um trampo legal.
Além disso, junto com o mano Edu Medeiros, da Editora Artesanal Tumulto e o companheiro Rogério Nascimento (também membro da banda C.U.S.P.E.), lançamos o livro “Da Escravidão à Liberdade: A derrocada burguesa e o advento da igualdade social”, do militante anarquista Florentino de Carvalho, cujo livro original é de 1927, este título organizei pensando na elaboração de uma coleção “Escritos Anarquistas no Brasil”, visando re-lançar títulos libertários escritos por militantes anarquistas brasileiros ou que residiram no Brasil no decorrer do século XX, mas infelizmente por motivos econômicos está parado. 
Recentemente lancei o “Discos que F*** Muitas Vidas”, a partir de convites à várias pessoas amigas, companheir@s, organizei uma coletânea de 18 textos, onde a proposta era qual o disco, LP, o som, que fodeu com a vida de cada convidado, este fodeu é o mudar seu comportamento diante os padrões sociais, seja ele estético, cultural, social, político, etc, ou seja, a música como agente de transformação, um trampo que adorei fazer.
Outro dia você me falou sobre um novo projeto, mais ambicioso, de publicar uma enciclopédia do punk nacional. Acredito que seja um trabalho árduo, diário, de intensa pesquisa. De onde surgiu essa idéia e a quantas anda esse projeto?
Renato Lauris Jr. - Então a ideia é através de uma pesquisa, que estou vendo será intensa e extensa, sobre o movimento punk no Brasil, no período de 1977 – 1989, ou seja, os primeiros anos do punk nestas terras tropicais. Creio que este período foi o engatinhar, a adolescência e o entrar na juventude do punk, onde em meio a convergências e divergências, entre a rebeldia e confusões, o movimento punk foi se estruturando e se fragmentando, se organizando politicamente, seja com os anarco punks ou uma ala direitona extrema como os carecas. O movimento punk para mim, como disse foi minha primeira escola, realizar este trabalho é como uma homenagem que faço a este movimento. A leitura de fanzines dentro do período mencionado, a busca de relatos de punks da época ou mesmo posteriores, existe um intenso material em revistas e jornais da época, e recentemente, a partir do final dos anos de 1990 uma intensa bibliografia e publicações acadêmicas sobre o movimento punk, além da publicação de memórias de alguns protagonistas desta história, como Clemente, Sukata (Garotos Podres), João Gordo, junto à documentários, filmes, etc...
A ideia de ser uma enciclopédia, ao qual dei o título provisório de “Uma ‘Quase” Enciclopédia do Punk Brasil – 1977 – 1989”, e de tratar e observar o movimento punk não apenas em suas bandas, mas também a sua essência, por isso estou selecionando alguns termos, bastante mencionado pelos punks nos zines, encartes de LPs e mesmo em suas canções, termos como: união, consciência, drogas, anarquia, bomba nuclear, guerras, ecologia, paz, etc..., isto é lógico dentro do contexto do período estudado. Ainda estou organizando as idéias.
No momento ainda estou no levantamento de dados, fichamentos e entrando em contato com algumas pessoas de diversas partes do país, recebendo materiais e trocando idéias, nisso a internet ajuda pra caramba. Inclusive, se alguém que esteja lendo está entrevista desejar e puder colaborar, entre em contato, ok. (revsobrevidas@gmail.com)

O Brasil está atolado em corrupção em todas as esferas, não se vê movimentação social contra as ações de mudanças na CLT orquestrada pelo (des)governo Temer. Temos dentro do próprio movimento punk e do rock pessoas apoiando idéias de candidatos fascistas/homofóbios/racistas. Estamos sem saída?
Renato Lauris Jr. - Acho que estamos procurando a saída. Quanto a questão de pessoas do próprio movimento punk ou de outras vertentes do underground apoiando ideias de direita ou conservadoras, o que mais me assusta são alguns velhos punks terem uma visão conservadora, postando até mesmo no facebook (local onde podemos ver estas aberrações) apoiando a rota (policia militar de SP, conhecida pela sua extrema truculência) ou mesmo tendo algumas velhas ideias semelhantes aquelas que questionaram em outro momento da história, na real, isto também, me levou a iniciar a pesquisa mencionada acima, são as convergências e divergências do movimento punk. 
Agora quanto movimentação social, há rumores, suspiros e perspectivas, mesmo que ainda pequenas, nas periferias, nas quebradas, mesmo em meio a um fervor conservador, ao qual devemos "agradecer" ao PT por estimular o sonho consumidor, criando novos endividados e tementes de perder seus bens adquiridos nas Casas Bahias, Lojas Cem e outras grandes lojas, com os crediários a se perder de vista, clamando por um policiamento em proteção aos seus lares.
Mas há os rumores de uma minoria desejosa por um outro mundo possível, algo que pode ser percebido nos saraus periféricos, nas organizações de bibliotecas comunitárias, nos cursinhos livres pré-vestiular, nas ocupações, e mesmo na persistência e resistência anarcopunk, como d@s companheir@s do CCS Favela Vila Dalva, em São Paulo, além do sempre ressurgir do anarquismo nos corações jovens, e a permanência de outr@s “velh@s” companheir@s pront@s a receber e caminhar junt@s a estes jovens que vão chegando. 

Com o advento da internet, as pessoas estão lendo menos. Qual o perfil do leitor de um zine no Brasil?
Renato Lauris Jr. - Então o público leitor dos zines é bem amplo, existem as pessoas como eu, que são admiradores e leitores fanáticos de zines, o que cai na mão lêem., Tem a galera que curte mais os HQs, tem uma turma que utiliza os zines como suporte para arte, desenhos, fotografias, até mesmo transformam objetos em zines (cápsulas, caixas, etc). tem os admiradores de microzines, enfim o público zineiro é amplo, os zines na real são uma puta resistência leitora. Inclusive um outro projeto que estou elaborando, este junto com Bruna, minha companheira, é o “Barricadas de Papel”, que vem deste lance do zine ser um instrumento de resistência na procura e manutenção de leiotr@s. A idéia é organizar uma zineteca física e virtual, uma gráfica para publicações de zines, livretos, e isto juntamente com ações pedagógicas como oficinas, elaboração coletivo de zines, leituras comentadas, contadores de história etc...Projeto este que estávamos pensando iniciar neste segundo semestre, mas deixar pra rolar mesmo no próximo ano. Neste momento estou catalogando nossa pequena coleção de zines para disponibilizar ao público.
Renato e sua companheira Bruna.
Aproveito a brecha pra mencionar que os zines enquanto objeto de pesquisa tem muito a nos dizer, desde o comportamento e pensamento juvenil, a divulgação de bandas, difusão política, torna-se uma importante ferramenta de diálogo, principalmente, entre os jovens, compartilhando gostos musicais, e informações sobre temas pertinentes a este público, e a um público mais velho também, assim como suas várias formas que podem servir de modelos para o uso pedagógico d@s docentes.
Vale mencionar que a internet, em certo momento, se torna castradora, tornando a criatividade em algo superficial, mecânico, muito fácil.
A confecção, produção de um zine e mesmo o contato com este tipo de impressão trabalha com a imaginação na velha brincadeira, cola, papel e tesoura.

Agradeço pela atenção, o espaço é seu, para falar o que quiser;
Renato Lauris Jr. - Nem, eu que agradeço pela oportunidade! Valeu mesmo mano, e espero ter ficado claro a troca de idéias. Seguimos a caminhada, e aqui fico no aguardo do seu livro e dos novos sons do Cama de Jornal.
E aos leitor@s, se liguem, saiam um pouco da frente das telas e zinem-se!
CONTATO: revsobrevidas@gmail.com

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Assista João Brandão adere ao punk-Curta baseado em conto de Drummond

No curta João Brandão adere ao punk, do conto homônimo de Carlos Drummond de Andrade, João Brandão é um estudioso de fenômenos sociais, que dedica-se no momento a pesquisa do punk. Ramiro Grossero, diretor, nascido no Gama-DF, é arte-educador e usa a vivência da sala de aula e das ruas para dirigir seu primeiro curta-metragem. Grilo, como o diretor é mais conhecido no underground punk, participa de todas as etapas da produção, criando as situações que dão forma à obra de arte.
No elenco, fazendo o papel de Carlos Drummond de Andrade, está o punk paulista Ariel, vocalista das bandas Restos de Nada e Invasores de Cérebros, dois pilares do punk nacional.
O poeta e ativista cultural brasiliense J. Pingo, falecido logo após as gravações, também integra o elenco, fazendo o papel de João Brandão, personagem central da trama. Os figurantes do curta são conhecidos na cena punk do Distrito Federal, entre os quais, integrantes das bandas The Insult, Mackacongs 2099, ARD, Marmitex S.A. e Canibais, além do cartunista Broba, ex-vocalista e letrista da banda Cegos, Surdos e Mudos, que também fez ilustrações para o filme.
Segundo Grilo, diretor do filme; "A lucidez do poeta ao analisar o tema em página do "Jornal do Brasil" no ano de 1983, para o qual escrevia uma coluna semanal, é surpreendente pela sensibilidade com que, o também cronista , desenrola um diálogo com o personagem João Brandão a respeito do pouco compreendido e até mesmo mal falado movimento." E Grilo acrescenta que "ao fim da leitura do conto e xerocado as páginas deste "Fio de prosa" fui ao encontro do meu amigo Jota Pingo, ator, diretor teatral e agitador cultural, um ícone de Brasília com uma biografia respeitável e membro de uma família de artistas, para conversar sobre cinema e coisas afins. Estando muito empolgado com a idéia da realização de uma adaptação em forma de curta metragem e promovendo na casa do "Pingão" muitos shows de punk rock, heavy metal e outro gêneros musicais no então Cine teatro Grande Otelo, que ficava no Mercado Cultural Piloto, Jardim Botânico - DF, e em meio a mostras de cinema e teatro, exposições de artes e festas que aconteciam no local, percebia que tudo estava ali e era só começar a dirigir o curta."
Ainda segundo o diretor, "Rita Andrade entrou em contato com os representantes do poeta e contando nossa história, conseguiu a liberação dos direitos do conto. Mas um grande cara estava para se juntar a essa trupe cultural. Em 2011, em show da lendária banda punk "Olho Seco" na C. T. Grande Otelo, recebemos a visita do Ariel Invasor, figuraça da cultura paulistana, conhecido por ser o vocalista da primeira banda punk rock do Brasil, Resto de Nada (1978), e na ocasião se hospedando na minha casa, mostrei o conto a ele. A identificação foi total e não pude deixar de notar que vestindo-o com roupa sociais e óculos ficaria um ótimo Carlos Drummond. Ariel é um desses caras com forte visão cultural e tem facilidade com a palavra, não se fez de rogado e topou participar do projeto."

domingo, 25 de junho de 2017

Lançada a coletânea Mosh Like a Blasfemme

Hoje é um dia especial para o Blog Tosco Todo, que completa mais de 100.000 acessos. Pode parecer pouco para algumas pessoas, mas eu sei que não é fácil manter isso aqui funcionando, sem nenhum apoio, sem publicidade, nem nada. Mas sei que estou fazendo o que posso e acredito! E pra comemorar esse número expressivo, vamos de notícia bacana no underground! Uma coleta com bandas com meninas/mulheres em suas formações e produzida aqui no sudoeste baiano.
Os coletivos "Mosh Like a Girl" (Vitória da Conquista-Ba) e "Underground Blasfemme" (Brumado-Ba) lançaram recentemente a Coletânea "MOSH LIKE A BLASFEMME", que conta com 14 bandas, como Anti Corpos, Mórficos, Socialphobia, Manger Cadavre?, Arandu Arakuaa, dentre outras. A arte gráfica foi feita por Jess Cordeiro (Libertinus Records). O encarte da coletânea é em envelope, com mídia comum, acompanhado de um zine em seu interior.
Segundo a página do Coletivo Mosh Like a Girl: "Não vamos parar por aí, pretendemos promover eventos, mais lançamentos e a coletânea nos ajudará nesse processo, essa é a principal intenção, nos estruturar cada vez mais, ganhar mais espaço para que o grito do subterrâneo feminino ecoe cada vez mais alto no sudoeste baiano."
A coletânea custa R$ 5,00 + o valor do frete. Interessados na coletânea que moram nas cidades de Vitória da Conquista e Brumado - Bahia a entrega pode ser feita pessoalmente. Para Distros e Selos interessados em distribuir, preços diferenciados.
Maiores informações:

sábado, 24 de junho de 2017

Liberado documentário sobre Ariel, ícone do Punk do Brasil

 
Foi disponibilizado ontem, no canal do diretor Marcelo Appezzato, o documentário SEMPRE PELAS RUAS, que fala sobre a trajetória do poeta, músico e ativista punk Ariel Ulliana, ex-Inocentes e vocalista das bandas Restos de Nada e Invasores de Cérebros. Ariel é uma figura importante no nascimento do punk no Brasil, e que até hoje vivencia o punk rock na sua essência.
Em 2015, durante uma turnê da Cama de Jornal por São Paulo, tivemos a honra de ficarmos hospedados na casa de Ariel, e fomos muito bem recebidos por ele e por Tina, sua companheira de todas as horas. Uma experiência única para mim, poder vivenciar histórias dos primórdios do movimento punk no Brasil. Ariel tem um acervo imenso de fotografias, cartazes e panfletos dessa época, e ficávamos horas vendo tudo isso. E no documentário você pode ver isso e muito mais. Agora quando vejo, durante o documentário, Ariel com uma camisa da Cama de Jornal, percebo que tudo que fizemos e vivenciamos naquele dia em sua casa valeu muito a pena!
Dê o play e conheça mais sobre a história desse ÍCONE do Punk brasileiro!!!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Entrevista com Lecão do programa Vida Punk

O papo de hoje é com Lecão, vocalista da banda Amnésia Coletiva, e apresentador do programa Vida Punk, exibido no YouTube, com entrevistas, clipes e informações sobre shows e lançamentos do underground punk rock hardcore nacional. Lecão é um cara que sempre tá nos corres, antes ele tinha um programa de rádio, que agora migrou para o YouTube. Se liga na entrevista e assista as edições anteriores do programa aqui no Tosco Todo!!!
Você é o vocalista do Amnésia Coletiva, tinha um programa de rádio, o Vida Punk, que agora virou um programa de vídeo no youtube? Onde tu arruma tempo pra agilizar tudo isso?
Lecão - Primeiro queria agradecer essa oportunidade de estar aqui mais uma vez, a primeira foi com a banda Amnésia Coletiva e agora estou aqui para falar do programa Vida Punk.
Antes o programa era em formato de rádio na web, na rádio Palco Vale, mas a emissora parou com as atividades e as pessoas me cobravam do programa Vida Punk, ai como não sei fazer uma web rádio, resolvi fazer em formato de vídeo e a galera gostou mais dessa forma. Agora onde eu arrumo tempo? É a paixão e amor em fazer o que você gosta que faz sobrar um pouco de tempo, e aproveito que a banda Amnésia Coletiva está sempre tocando em uma pá de lugares, ai fica mais fácil de fazer as entrevistas com as bandas.

Outro dia a gente estava conversando sobre o movimento punk, e cheguei a conclusão que hoje em dia é mais um movimento musical do que de contestação, de ação direta. O que você acha que pode mudar esse cenário?
Lecão - Isto é uma verdade, hoje a turma está curtindo o movimento e não lutando por um ideal. E para mudar tudo isso temos que prestar mais atenção nas letras das bandas, mas existe muita gente fazendo algo, cada um fazendo ao seu modo.
Precisamos nos unir para fazer esse movimento Punk que eu amo tanto ser bem mais organizado. Assim seremos fortes, Sempre.

Será se o punk se afastou da periferia, perdendo espaço para o Hip hop e o Rap? Como conquistar novamente esses espaços?
Lecão - O Rap e o Hip Hop vem crescendo sim, de forma consciente que é uma boa, mais estes últimos anos em SP, Capital e interior, eu estou vendo o Punk retomando seu espaço com grandes festivais, shows com mais de 20 bandas. Resumindo, estamos migrando para outro lugares, só falta lugares na periferia funcionado como oficinas culturais etc...que isto sempre foi o punk de verdade.

O que te levou a fazer esses programas, na época da rádio, e agora no youtube?
Lecão - Quando o Claudio do PSHC e o Julio Cruz, da web rádio Palco Vale, me chamou eu aceitei pois era a oportunidade de rolar som de Punk, pois é muito difícil o nosso estilo de musica ter um espaço. E agora com formato de vídeo ficou mais interessante, pois estava cansado de ver sites usando o nome de Punk e dando noticia de Fresno, NXZero, etc...que para mim não tem nada a ver com o verdadeiro Punk Rock. Aqui no Vida Punk, o Punk Rock é levado a sério.
Vida Punk - Assista aqui todos os programas no YouTube
Eu tenho esse blog, você tem o canal no YouTube. Acredito que essa união que faz com que a cena desenrole e atinja um público maior. Você não acha que tá faltando mais união pra fazer o punk HC atingir um público fora da cena underground?
Lecão - Com certeza, como já falei, temos que ser mais unidos, assim construiremos algo bem maior. E aproveitando o espaço aqui do seu Blog que tem uma puta visibilidade, deixo em aberto para sites, blogs, etc...para aqueles que quiserem copiar o link do programa e agregar junto ao seu trabalho, é só entrar em contato comigo, pois as parcerias são sempre bem vindas.

Lecão, agradeço a atenção, e parabenizo você mais uma vez por fazer essas correrias, seja com sua banda ou divulgando outras. O espaço é todo seu, pra falar sobre algo que não foi contemplado nessa entrevista!
Lecão - Eu que agradeço, espero ter você no meu programa, pois vejo um cara batalhador que faz muito para o Punk Rock não só ai em Vitória de Conquista, mais sim para o Punk Rock nacional.
E o que eu tenho a dizer para as bandas interessadas na divulgação no programa Vida Punk, é para entrarem em contato no Face, estou com o nome normal pois eles fizeram eu tirar meu apelido, procura lá Alex de Castro Querido, ou deixa os comentários no link dos programas Vida Punk. Estamos ai para divulgar sua banda de Punk.
O programa vai ao ar de 15 em 15 dias e o próximo do dia 15 de maio será com O SATÂNICO DR. MAO E OS ESPIÕES SECRETOS, mais conhecido como Mao dos Garotos Podres. Já temos entrevista gravada com Filhos de Inácio, Lobotomia. Entrevista com Clemente da banda Inocentes. 
Então peço a galera que acompanhe nosso programa, se inscreva-se em nosso canal, curta, compartilhe e vamos todos juntos por um movimento mais forte.
Mais uma vez muito obrigado pela oportunidade cedida, e encontro vocês no programa VIDA PUNK, ONDE O PUNK ROCK É LEVADO A SÉRIO PORRA.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Renegados lança CD Futuro sem cor

A banda Renegados, de Vitória da Conquista, acaba de lançar seu mais novo CD. Intitulado "Futuro sem Cor", esse é o segundo material da banda. Conversei com Dani, vocalista, e ele falou um pouco sobre a história da banda como também sobre o lançamento do CD. Se ligue e ouça aqui no Tosco Todo!!!
A banda é de 2000, mas durante esse tempo, mudou bastante de formação e até deu uma pausa nas atividades depois do lançamento do primeiro CD. O que levou a isso e qual a motivação para a volta e o CD novo?
Dani - Na verdade a ideia da banda nasceu em 2000, logo após ter conhecido Xuxa (Filemon), mas só veio mesmo ser posta em prática no início de 2001. Após a estreia da banda em março de 2002, na Festa da Babilônia 2, e depois disso vivemos um momento muito intenso de apresentações. Na formação original era eu o vocal, Xuxa (baixo), Marcio Ventríloquo (guitarra) e Cessar (bateria). Só que na bateria não parava ninguém por muito tempo e a banda estava constantemente buscando o baterista que se enquadrasse no perfil do grupo. Depois da gravação do primeiro CD ouve também outras mudanças na formação e começou a complicar a coisa quando eu tive que ir trabalhar e morar em outra cidade, então começou a diminuir a quantidade de shows por conta disso, mas ainda assim seguimos com a banda até que tive que me mudar para Bom Jesus da Lapa e devido a distância não possibilitar os ensaios cheguei a pedir que Xuxa seguisse com a banda,pois para mim ficaria inviável. Xuxa chegou a tentar assumir os vocais para seguir, mas depois desanimou e disse que essa não era a sua praia e com isso a Renegados chegou a acabar em 2008. Cheguei a tocar em uma banda punk na Lapa, (Ratoeira), mas surgiu a oportunidade de voltar para Conquista e não pensei duas vezes.
Em setembro de 2012, ao retornar para minha city natal, procurei Xuxa , Beto e Reinan (ultima formação da banda até então), e marcamos um show de “Reunião" na Festa da Babilônia 3 (março de 2013), que aconteceu na Casa Fora do Eixo. Seria a primeira tentativa de voltar com a banda, mas esbarramos em um outro problema, o fato que Xuxa já havia se mudado para Salvador e não poderia continuar na banda.
Enquanto esperava que ele mudasse de ideia e voltasse para os Renegados, resolvi criar uma banda cover dos Garotos Podres (Mais Podres) e convidei Niel, Reinan e Anderson para o projeto que chegou a se apresentar em dois eventos: (Autonomia é o Caminho e Rock na Serra).
Como Xuxa resolveu que não voltaria para a banda por não poder morar em Conquista resolvi convidar Christian para guitarra, Niel para o baixo, Reinan seguia na bateria e eu nos vocais. Assim se formou a “nova era Renegada”. Fizemos um retorno muito bacana no evento “A CONQUISTA DO ROCK” que rendeu um DVD ao vivo do qual participamos juntamente com outras 5 bandas. Como já estávamos com várias músicas prontas, decidimos lançar um novo trabalho já com a cara da nova formação o que resultou no CD “FUTURO SEM COR”.

Dois integrantes marcantes da banda foram você e Filemon "Xuxa" Júnior, que foram os que mais tempo ficaram na banda, sendo inclusive os fundadores da Renegados. Mas Xuxa se mudou pra Salvador. Como foi pra você botar a banda pra frente sem esse grande companheiro? E como tem sido a adaptação com os novos integrantes? 
Dani - Cara, tocar a banda sem Xuxa foi a decisão mais difícil em toda a trajetória da banda, pois embora o nome da banda e quase todas as letras sejam minhas, ele foi o grande parceiro que apoiou e mergulhou de cabeça nessa viagem, onde com a banda passamos por muitos momento loucos juntos, que chego a dizer que marcou pra valer as nossas vidas. Daí então, me vi, na responsa de tocar a banda sem ele, por conta de estar morando em salvador e ter que ficar vindo ensaiar e tudo mais.
Enfim! Tive a sorte de encontrar dois caras muito bacanas (antigos integrantes da banda Atestado de Pobreza) e juntar com o velho companheiro Reinan, que já tocava na última formação e conseguimos embarcar todos nessa nave Renegada mais uma vez na história.

A Renegados já tinha um CD lançado em 2002 chamado "Miséria e Corrupção - A verdadeira face do país: A ordem dos miseráveis, O progresso da corrupção". Agora a banda lança "Futuro sem cor". Tem como traçar um paralelo entre esses dois materiais? Qual a temática desses dois discos?
Dani - O primeiro disco tinha como título principal “MISÉRIA E CORRUPÇÃO” e o subtítulo, "A verdadeira face do país: A ordem dos miseráveis, O progresso da corrupção". e foi um CD mais cru, embora as letras sempre atacando a classe política e a crise social brasileira que também prevaleceram no segundo CD “ Futuro Sem Cor”.
No primeiro tivemos o privilégio de sermos comentados na extinta revista Rock Brigade e a crítica não foi uma das piores em relação as demais bandas que mandavam seus materiais (rsrsrs), mas foi um disco forte e que colhemos frutos até hoje, 15 anos após, por terem rendido alguns clássicos conhecidos atualmente pela cena.
Já o disco FUTURO SEM COR que acabamos de lançar, acredito, ter vindo com letras ainda mais fortes e com temas que certamente serão lembrados por muitos nos próximos anos, pelos temas tão enraizados no Brasil e no mundo. Acredito que esse CD novo vai interessar para muita gente do seguimento por reunir músicas com críticas mais consistentes ao sistema em que vivemos.

A banda fez o lançamento do novo CD no festival Overdose de Rock 3. Como foi a receptividade do público para as novas músicas da Renegados? Vocês já tocavam essas músicas nos shows, ou eram inéditas para o público?
Dani - O publico respondeu muito bem e a crítica tem sido positiva em relação a qualidade do novo trabalho, já tocamos as músicas em eventos anteriores, embora apenas no “Overdose de Rock 3” chegamos a tocar todas as faixas do CD novo.
Compre Aqui o CD Futuro sem cor
E agora, qual a expectativa com esse CD em mãos? Viajar pelo Brasil está nos planos? Um DVD? O que esperar da Renegados a partir de agora?
Dani - Caracas!!! Na verdade, acho que o nosso plano é não ter plano (rsrsrsrs). Vamos deixar a coisa acontecer e aproveitar o máximo das oportunidades que surgirem, talvez gravar um clipe, também ficaremos de olho nos shows fora da city que forem viáveis e tentar expandir o máximo possível esse novo trabalho. Mas uma turnê seria bem vinda.

Sou fã da Renegados, que foi uma das bandas que me influenciaram a ter uma banda de punk rock, você sabe disso. Agradeço demais a atenção, desejo sucesso nos seus projetos e o espaço é de vocês;
Dani - Valeu caro Nem, eu que agradeço a oportunidade e o apoio do selo Tosco Todo em divulgar o nosso trabalho e abraçar a nossa causa. E quero deixar claro que é muito bacana ter você como fã dos Renegados, um cara que tem uma grande história no punk rock da Bahia e uma banda que tanto contribuiu para que essa cena continue a existir em vitória da conquista e região. Nós que agradecemos a atenção em especial pela banda Renegados HC. Enfim, vamos que vamos pela atitude!
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segunda-feira, 27 de março de 2017

Contaminador Social lança Pax Tibi

Contaminador Social é uma banda de Pouso Alegre-MG que faz um som Rapcore/HC. Com influências de Punk 77, Punk nacional, Hardcore, Rap Core e Hip Hop, a banda acaba de lançar a demo "Pax Tibi", que significa "Fique em paz", com 4 músicas. Três delas foram gravadas no estúdio Rota 976, e a faixa "Não sou Jesus" foi gravada de forma caseira. Formada por Goiaba nos vocais, Jahjah na guitarra, Girilo no baixo e Demétrio na bateria, a banda disponibilizou a demo para audição e download. Ouça aqui no Tosco Todo.
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sexta-feira, 24 de março de 2017

Cianeto HC lança Estilhaços

Diretamente de Teresina, a banda de hardcore Cianeto HC lança o EP ‘Estilhaços’, segundo material do quarteto formado por Heitor Matos (vocal), Pablo Vinícius (bateria), Valciãn Calixto (baixo) e Robervan Sousa (guitarra), que em 2016 estreou com ‘Decair’.
Cianeto HC de Terezina-PI
O grupo que participa do coletivo Geração TrisTherezina, só reforça o quanto é característico para essa nova turma do Piauí o flerte com diversos ritmos sem preconceito algum, haja visto que no ep Decair, a Cianeto traz um ska e aplicações de funk e reggae. Ouça aqui no Tosco Todo!


quarta-feira, 22 de março de 2017

Entrevista com Ricardo da banda Rua 25

O papo de hoje é com Ricardo Ruas, vocalista da banda punk rock Rua 25, da cidade de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. A banda lançou o EP "Barricada e Molotov", e além de falar sobre isso, Ricardo nos conta também como anda a cena na região. Leia e ouça aqui no Tosco Todo!
Ricardo - Vocalista da banda Rua 25
A primeira curiosidade é em relação ao nome da banda. De onde tiraram esse Rua 25?
Ricardo Ruas - Muitos tem essa curiosidade mesmo...rsrs...mas na real, a Rua 25 fica em um dos bairro mais violentos aqui de Guaratinguetá, além de ser uma biqueira, era a única asfaltada na época, hoje o bairro está um pouco mais tratado e o curioso que muitos faziam um corre do barato, então ficava aquela; vamos na Rua 25 buscar um barato e tal...rs...aí certo dia, virei para um amigo meu que fazia um som com a gente e falei; Tá aí, velho, Rua 25 é um nome massa pra banda! Aí ficou...rsrs...Essa Rua 25, é o retrato do nosso Brasil, é o espelho da nossa sociedade, igual a ela tem várias, milhões.
Rua 25: Silmar (Guitarra), Jonas (baixo), Gabriel (bateria) e Ricardo (vocal).
O Rua 25 foi formado em 2001 em Guaratinguetá. Como era a cena naquela época?
Ricardo Ruas - Em geral, a cena punk de Guaratinguetá sempre foi muito fraca, exceto na década de 80, que o punk nacional estava mais em evidência com muitas bandas, aí rolou até alguns festivais, não só aqui, mas em Piquete, Pindamonhangaba, Cruzeiro. Mas no geral sempre foi muito fraca.

E hoje, como anda a movimentação por aí? Shows, bandas, o que tem rolado?
Ricardo Ruas - A movimentação em relação a gigs punks continua fraquíssima, ou zero por aqui, inclusive o Rua 25 é muito difícil fazer show aqui, tocamos mais quando nós mesmo organizamos, mas a falta de espaço é gritante, até mesmo a falta de público quando rola, é uma realidade triste porque gostaria de tocar muito mais com o Rua 25 aqui em Guará.
Em 2003 vocês criaram o próprio selo. Qual foi a necessidade disso?
Ricardo Ruas - O selo, "Quero uma festa Punk!" foi uma cooperativa entre duas bandas, né, o Larx e o Rua 25. E a necessidade foi para se organizar shows, divulgar as bandas, não só as nossas, mais da região em geral aqui do Vale do Paraíba, que inclusive tem muitas bandas boas mesmo e que merecem estar mostrando o seu trabalho.

Vocês também já fizeram shows com bandas importantes da cena nacional, e também com algumas bandas estrangeiras. Qual o show vocês não se esquecem?
Ricardo Ruas - O primeiro show do Rua 25 com uma banda de destaque do cenário mesmo foi em 2002, com o Cólera, aqui em Guará mesmo, e foi o que me marcou cara, porque o contato que tive com o Redson, de conhecer a simplicidade e humildade de um dos caras mais importante da história punk brazuca, foi o que me marcou e deu gás pra ter certeza que era aquele som mesmo que queria fazer, som de protesto.

A banda completa 15 anos lançando o EP “Barricada e Molotov”. Depois de tanto tempo, porque a banda não lançou nenhum CD completo?
Ricardo Ruas - Gravar um disco de 10, 12 músicas ou mais, as vezes o camarada nem escuta todas, fica meio maçante, aí você acaba queimando músicas. Pra falar a verdade cara, estúdio é uma chatice das grandes...rsrsrs...gravar seis músicas já quase que não aguento imagina um disco completo...rsrsrs...mas quem sabe gravamos um dia.


O Rua 25 Participou também de muitas coletâneas. Qual a importância desses lançamentos para a divulgação de uma banda no underground?
Ricardo Ruas - Cara, coletânea é sempre importante para as bandas, pois é uma vitrine, o seu trampo está ali sendo divulgado, e não deixa de ser uma união entre as bandas, o fazer acontecer, e tivemos a oportunidade sim de participar de bastante coletâneas, não só com bandas da região do vale como de São Paulo. O underground é isso na realidade, muitas bandas não conseguem divulgar seu trampo, gravar seu disco, aí junta várias bandas, racha as despesas, é assim que acontece.
Rua 25 - Outros Materiais - OUÇA AQUI.
O espaço é de vocês. Falem o que quiserem!
Ricardo Ruas - Queria agradecer em nome do Rua 25 o espaço aberto aí por você, no seu blog, que é importantíssimo para bandas estarem divulgando seu trampo. Nesses 15 anos nas ruas, resistência é a palavra que nos define, a palavra que resume nossa luta, e que enquanto existirem covardes, fascistas, o Rua 25 estará ai, protestando e levando o seu som a todos os cantos possíveis!
Ande pelas Ruas!

Contatos Rua 25:
Ricardo (12) 98852-3091

terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista com Popeye da Sertão Sangrento

O papo de hoje é com o Popeye, vocalista da banda de horror punk potiguar Sertão Sangrento. Com 13 anos de estrada, eles lançaram  no ano passado o primeiro CD chamado "Vidas Secas". E além de falar sobre esse lançamento, Popeye falou também sobre a trajetória da banda, cena nacional, influências e muito mais. Confira e ouça faixas do CD!
Popeye-Vocalista da Sertão Sangrento
A Sertão Sangrento surgiu em 2004. Quais foram as referências para vocês montarem uma banda de horror punk no Rio Grande do Norte?
Popeye-Ramones e Misfits e, em menor escala, Zumbis do Espaço. Já tínhamos todos tocado em bandas antes, inclusive juntos. Depois de muita cachaça o pessoal resolveu montar o Sertão com o intuito de engrossar as fileiras do horror punk nacional, já que naquela época eram poucas bandas.

Vocês são de Caicó-RN. Como era a cena por aí naquela época? Existiam outras bandas do mesmo estilo de vocês?
Popeye-Naquela época só tínhamos de horror punk em nosso minúsculo estado os Inquisidores, de Areia Branca. Nós surgimos depois, embalados pelos filmes de terror. E eu surgi depois ainda, em 2008. A banda mudou de vocalista e só, e de lá para cá eu tenho segurado esse trampo desde então.
Nossa cidade sempre foi movimentada quando o assunto é rock n roll. Existiam várias bandas, nenhuma de horror punk, porém todas muito boas, e acho que nós conseguimos influenciar bastante gente que nunca tinham ouvido falar no estilo por aqui.

Sobre a temática das letras de bandas de horror punk, que falam muito sobre mortes, massacres, muito sangue e tal, eu me lembro uma vez, em uma entrevista o vocalista Tor, do Zumbis do Espaço, falou que fazer uma letra desse tipo era como escrever um roteiro de um filme ou de uma história em quadrinho, que não era pra inguém ficar levando isso ao pé da letra. Mas no trabalho de vocês existe uma preocupação também com o cenário de descaso e morte na população nordestina. O que você tem a dizer sobre isso?
Popeye-Antes de tudo somos uma banda Punk, e a indignação, querendo ou não, acaba se fazendo presente nas letras, e isso sempre foi uma marca profunda de nossa banda. O lance do Zumbis do Espaço é mais inofensivo, tem a ver mais com diversão, e somente agora, a partir do álbum “Circo da Fé”, é que podemos notar algumas pequenas alfinetadas em suas letras, e falando nisso, eu nem considero muito o Zumbis do Espaço uma banda horror punk de verdade, eles estão mais para Rock n Roll, como o Tor mesmo sempre fez questão de dizer e de se afastar dessa cena que eles nem conhecem e nem ajudaram a crescer e se desenvolver. Já o nosso som, é mais perigoso, somos uma banda perigosa! Falamos de filmes de terror, mas em nossas letras vocês podem achar uma critica embutida que certamente deve desagradar alguns. Já em relação as músicas horror punk propriamente ditas, com monstros e assassinato, claro e evidente que não sairemos por ai fazendo coisas desse tipo, ao menos por enquanto...
Sertão Sangrento é: Death (Baixo), Ely (Guitarra), Markim (Bateria), Popeye (Vocal)
O CD tem o título de "Vidas Secas", que eu acredito que seja influenciado pelo romance de Graciliano Ramos, que retratava a familia de um vaqueiro em retirada do seu território, em busca de uma vida melhor para sua família. Qual o paralelo que podemos fazer entre aquela população rural do romance, ao conceito do CD de vocês?
Popeye-A música “Vidas Secas”, que dá nome ao álbum, e que inspirou a capa do nosso CD, pode responder essa pergunta. Ainda moramos no sertão, assolado ainda pela seca. Estamos passando por uma seca enorme, inclusive, desde o ano de 2011. Pouquíssimas chuvas, carcaças de animais na beira das estradas. A poucos dias eu fiquei mais de uma semana sem água em casa, tomando banho de “cuia”. O agricultor passando necessidade e o êxodo rural se repetindo. Os senhores de idade no interior ainda procuram cacimbas para aplacar a sede e crianças ainda morrem de fome. Você falou que o Tor disse que as letras do horror eram como a criação de um roteiro. Bem, está ai um baita de um roteiro de horror. O Glauber Rocha adoraria!

Ouvindo as faixas que a banda disponibilizou na internet, eu senti, em um momento, uma semelhança com o trabalho do Karne Krua, que também é uma banda nordestina, de hardcore, da cidade de Aracaju-SE, e que também fala muito sobre a situação do nordestino, mostrando a realidade que muitos não conseguem ver. Qual a mportância de trabalhos como esse de vocês e do Karne Krua, pra cena nacional?
Popeye-Eu sou um grande fã do Karne Krua, inclusive verei o show deles em março, juntamente com o GBH, e terei oportunidade de falar ao vocalista como a banda dele é legal e influente para muitas gerações de amantes do punk rock. Falar sobre esses assuntos, mesmo que os ricos e essa nova e asquerosa classe reacionária não gostem, é de extrema importância. As coisas não estão legais! Muito precisa ser mudado, esse rebanho de safados amantes do bolsonazi terão que escutar!

Vocês já tinham lançado um EP em 2010, mas o "Vidas Secas" é o primeiro trabalho em CD, e foi lançado pelo selo Microfonia. Como foi a produção desse material?
Popeye-Foi difícil. Gravamos tudo em 2015, mas só lançamos no ano de 2016 graças ao Adriano, guitarra do RottenFlies, e a Olga. Ambos comandam o Microfonia. Convidamos o Rotten Flies para tocar em Caicó, e no pós-rolê, regado a muita birita, lançamos a proposta para o Adriano, que ouviu o cd gravado dias depois e nos convidou para fazermos parte do Microfonia, selo extremamente profissional da Paraíba. Também conseguimos o apoio do selo “Universo Horror Punk”, de São Paulo. Depois de meses de espera tivemos o prazer de receber o disco em nossas mãos na ocasião do lançamento em João Pessoa, e ficou lindo!

A capa foi desenvolvida pelo Wendell Nark, um grande artista de Recife-PE. Qual foi o conceito que vocês pediram para que ele retratasse?
Popeye-Conheço o Wendell das antigas, de salas de punk rock no Mirc, trocamos muitas ideias das antigas e nos encontrávamos nos pogos do Abril Pro Rock (risos). Quando veio a oportunidade de lançar o CD, falei logo com ele, enviei a música “Vidas Secas” para ele sacar e disse mais ou menos a ideia que queria para o álbum, que seria a de retirantes que parecessem zumbis em uma romaria macabra rumo a um ídolo cristão deturpado, que pensei que seria a Virgem Maria, mas dai parece que ele pegou minha ideia e multiplicou por mil, e no fim saiu essa capa linda. Botou logo o cristo com uma caveira de boi no lugar da cabeça e uma conjunção astral agourenta.

Falando agora sobre a cena Horror Punk brasileira? Como anda? Quais as referências para vocês do estilo no Brasil?
Popeye-A cena continua pequena, e ainda tem panaca que abre a boca pra dizer que virou moda. Se tivermos 30 bandas de horror punk em atividade atualmente em todo território nacional, é muito. Isso é moda de onde?
As bandas em sua maioria são unidas, uma ajuda a outra. Claro que existe um ou outro desafeto em busca de fama, mas no geral somos praticamente irmãos. As bandas divulgam materiais umas das outras, o pessoal promove shows e assim vai.
Bandas nacionais que com certeza eu indico, e que estão em plena atividade são: Pesadelo Brasileiro e Difunteria (SP), Rádio Cadáver e Mary Zombie(PR), Cães Sarnentos (CE), Riveros e Inquisidores (RN), Dead Live (AM) e o Esquife (RS).

E agora, tem rolado muito convite para shows? Quais os planos? Turnê? Novo CD?
Popeye-Convites rolam de todos os lados, mas o undeground é difícil. Sabemos que para conseguirmos tocar de norte a sul teremos que armar a tour nós mesmo, procurar casas de shows e sair tocando durante um mês inteiro. Várias bandas amigas nossas já fazem isso a bastante tempo, e eu mesmo já ajudei a armar alguns shows por aqui de bandas que estão saindo do sudeste e vindo pra cá, portanto sei bem como é. É difícil para nós, mas não impossível. Vontade temos!
Sobre um novo cd, claro que vamos lançar, e já temos mais de 20 músicas prontas e o nome do próximo álbum também, mas por enquanto estamos focados em divulgar e escoar os CDs que temos, e isso pode levar um tempo.

O espaço é de vocês pra falarem sobre o que quiserem, ou sobre algo que não foi abordado até aqui, pode falar:
Popeye-Juntem-se a nós, façam uma banda horror punk! Não se preocupem com visual, isso é coisa de banda gringa. O nosso horror punk nacional é único, diferente de qualquer outro no mundo, e temos muito a nos orgulhar, e ainda muita coisa a fazer. Vejam bons filmes de terror e leiam livros e HQs. Preocupem-se em fazer músicas de qualidade, o resto virá, mais cedo ou mais tarde!
AO INFERNO, SENHORES!!

Contatos:.

terça-feira, 7 de março de 2017

Manger Cadavre? lança EP

A banda de hardcore crust Manger Cadavre? acaba de lançar seu mais novo EP intitulado "Revide". Com integrantes de cidades da região do Vale do Paraíba em São Paulo, o grupo vem indagar, com letras em português, questões cotidianas e lutar pelo fim da exploração. São seis sons que estão disponíveis para audição, então dê play e acompanhe a conversa que tive com a galera da banda!
Manger Cadavre?
Nata (vocal), Jonas (baixo), Marcelo Augusto (guitarra) e Marcelo Kruszynski (bateria).
Pra galera que não conhece ainda a banda, fale quando surgiu , de onde veio esse nome e quais as principais influências?
Manger Cadavre?: A banda começou como um sexteto em 2011, com integrantes de várias cidades do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, mas em 2012 nos firmamos em 4 integrantes. Nossa proposta era trazer ao hardcore referências dos sons que gostávamos, aliando nossos ideias socio-políticos. O nome significa "Comer cadáver?". No início, tínhamos a proposta de libertação animal, paralela a luta pelo fim da exploração humana, mas resolvemos focar nesse segundo recorte com o passar o tempo. Nossas principais influências são Catharsis, Neurosis, Fall of efrafa, Disrupt, Napalm Death, Madball, Tragedy, entre outros.

A banda lançou recentemente um EP intitulado "Revide". Como foi o processo de gravação e produção? Teve apoio de algum selo? Vai ter um lançamento do material físico?
Manger Cadavre?: O "Revide" é o nosso trabalho mais maduro. Nos empenhamos em 6 meses de ensaios contínuos para podermos gravar ao vivo no Family Mob Studios em São Paulo. Esse é um trabalho especial, pois além da dedicação na composição, pagamos a gravação com dinheiro que arrecadamos com a venda de merchandising da banda. Foi difícil, foi suado, mas rolou e ficou além do que esperávamos. Ele está na fábrica e em breve teremos o físico que será lançado por 8 selos distribuídos pelo país.

Vocês cantam em português. Qual a importância disso e fale um pouco sobre a temática das letras?
Manger Cadavre?: Apesar do nome em francês, as letras são em português. Não que o vocal da Nata seja fácil de compreender, mas para a nossa proposta de som, que visa levar a consciência de classe, raça, gênero e orientação sexual, além de combater o fascismo, é importante que as letras sejam compreendidas pela molecada, nem que seja por meio do encarte.

Qual a expectativa a partir de agora?
Manger Cadavre?: Queremos tocar o máximo que pudermos! Mas em breve o som Bruxas da Noite terá um clipe que será produzido por um grande amigo nosso que está nos dando esse suporte.

Contatos:
Email mangercadavre@gmail.com
Ouça outros materiais aqui: Mangercadavre.bandcamp.com/

sábado, 4 de março de 2017

Chancho lança CD

Banda de Punk/Powerviolence de Natal, Rio Grande do Norte, o Chancho é um projeto formado em Janeiro de 2011 por Charliê (baixo e gritos) e Caroline (bateria).
Conversei com o Charliê, que me falou, dentre outas coisas,  sobre os as expectativas a partir desse novo lançamento.
Charliê e Caroline - Chancho
Como foi a produção e gravação desse CD?
Charliê - Faço todo corre de grana para custear a gravação e prensagem das capas.
A arte da capa foi feita pelo Wendell Nark de Recife/PE. Gravamos no Estúdio Mente Aberta em Santa Cruz/RN com a produção de Paulo Medeiros. Recebi um apoio dos selos: VELHO RABUGENTO E EFUSIVA. 

A banda é um duo? de onde surgiu essa idéia?
Charliê - Desde 2011, me mudei para Natal e iniciei o duo com o Chancho. Ouvia muito Spasm e pirei com a  lindeza!

Como é a criação dos sons, as temáticas da letras?
Charliê - Fiz tudo do instrumental com seus delírios, Caroline completa toda insanidade dançante. Falamos sobre drogas, exploração animal, política e veganismo.

Por ser um duo, fica bem mais fácil da banda circular pelo underground. Existe plano para uma Turnê pelo Brasil em 2017?
Charliê - Planos temos sim! Penso em viajar o mundo todo tocando. Temos novidades interessantes para 2017 que no momento certo vamos divulgar tudo.

ACOMPANHE CHANCHO NAS REDES SOCIAIS:
CONTATO DIRETO:
chanchosxe@outlook.com

sexta-feira, 3 de março de 2017

Banda Cianeto anuncia novo EP

Cianeto (Foto: Natália Gomes)
"Rosto de Deus" é o single que anuncia o segundo EP da banda de hardcore do Piauí, Cianeto.
A Cianeto integra o Geração TrisTherezina, coletivo/selo de Terezina-PI.
A banda estreou em 2016 com o EP "Decair" e é formada atualmente por Heitor Matos (vocal/letras), Pablo Vinícius (bateria), Robervan Sousa (guitarra) e Valciãn Calixto (baixo).
Curiosamente a música tem arranjos do baterista Pablo. “Pablo foi o último a entrar para a banda depois de sucessivas mudanças em nossa formação e, na verdade, ele é guitarrista, mas tem segurado a onda na bateria, daí que um dia ele mandou uma base que ele tinha feito e eu disse que ia compor uma letra para ela, deu nessa música que estamos usando para anunciar nosso EP que sai ainda este mês”, explica o vocalista Heitor.
"Rosto de Deus" conta ainda com o reforço de Chakal Pedreira, vocalista da lendária banda Obtus HC, participando dos vocais juntamente com Heitor no refrão. Baixe e ouça aqui no Tosco Todo!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Asteroides Trio lança EP com participação de Gabriel do Autoramas

Formiga, Leandro e Weasel - Asteroides Trio (Foto: Nádia Ramone)
A Asteroides Trio, banda de rockabilly paulista, acaba de lançar o seu mais novo EP que tem a participação de Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista do Autoramas, na faixa “Verônica Biônica”. Sobre essa participação, Leandro Franco, vocalista do Asteroides Trio, explica: "Gabriel foi num show da gente em 2014, se não me engano, no Inferno Club. Gostou do nosso som  autoral e a partir desse dia mantivemos um pequeno contato pela internet. Mostrei a música para ele, composta no violão ainda e ele se ofereceu para gravar conosco. Na base da camaradagem." 
Leandro, Gabriel Thomaz e Formiga.
O EP conta ainda com a faixa “Pelas Ruas”, escrita pelo baixista Weasel Rocker na década de 90 e que foi refeita no estilo do Asteroides, com os vocais do guitarrista Cláudio Formiga.
A música “Nancy, vamos para casa”, que é uma homenagem à Nancy Spungen, namorada de Sid Vicious, foi uma das primeiras composíções da banda em 2006. No EP foi regravada com baixo acústico e novos arranjos na guitarra.
“O último dos moicanos”, finaliza o EP e conta um pouco sobre dramas adolescentes vividos pelos próprios integrantes da banda.
Segundo Leandro, "o EP demorou cerca de 6 meses para ser gravado. Gravamos no Hot Jail Estudio em São Bernardo do Campo, com produção do Joe Marshall (Bad Luck Gamblers)".
E sobre a possiblidade do EP virar um CD completo, Leandro diz: "A ideia é lançar um CD físico até meio do ano com mais músicas e um compacto vinil com 4 músicas. Ainda pretendemos gravar no estúdio junto com o Barata do DZK e mais sons autorais."
Então ouça o novo EP do Asteroides Trio aqui no Tosco Todo!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Entrevista com a banda Rapadura do Nordeste

Sempre recebo alguns releases de bandas que não se "enquadram" no perfil do blog Tosco Todo. Algumas poucas eu abro a exceção e publico por aqui, como foi o caso das bandas Old Stove e da Branco ou Tinto. Também recebo alguns materiais de bandas que mesclam estilos diversos ao som que fazem. Esse ultimo perfil, é o caso da banda Rapadura do Nordeste. Formada em Salvador, eles misturam batidas do rock, com letras de protesto que se encaixariam em qualquer banda de punk rock, com uma forma de cantar tipicamente nordestina. Recentemente lançaram um EP, e conversei com a banda sobre isso e sobre a história da banda. Acompanhe aí!

Da esquerda p/ direita; Uiá (guitarra) Tonka (baixo), Melado (batera), Sinho (voz) e Tim (voz)
A banda surgiu em 1998, parando de tocar alguns anos depois. Nos fale um pouco dessa época. E porque a banda ficou tanto tempo fora do circuito?
A banda surgiu no bairro do Beirú, Tancredo Neves, tínhamos entre 13 e 16 anos na época, acho que o mais novo na época era Uiá (guitarrista), que também já entrou depois , mas nesse período a banda passou por diversas formações, coisa de adolescente mesmo. Um entrava, depois saia. Todos eram amigos e somaram imensamente com o som. Tem um pouco de todos.
Depois de certo tempo, as condições adversas inviabilizaram o projeto. Mudança de cidade, compromissos que chocavam com os horários, desinteresse de alguns, falta – principalmente – de estrutura como um todo. Afinal, alem de tudo, somos uma banda de origem humilde, raízes na resistência. Então na época, tínhamos nossas limitações. A banda fez algumas apresentações nesse período, em eventos legais da época como no "Chá da lua", Festival da Aldeia hippie de Arembepe, Ex-passo Cultural, etc...

Agora a banda voltou à ativa, com um EP lançado no final do ano passado. De onde surgiu a ideia desse reencontro entre vocês?
A ideia surgiu de certa forma pelo acaso. Depois de muitos anos parados, cada um com seus trâmites de vida, tínhamos os contatos um dos outros, pois acima de tudo, sempre fomos amigos de infância e de ideais. Mas faltava uma peça para as coisas catalisarem, apesar de não contarmos com isso. E depois de anos, retomamos algumas conversas, contatos, e fomos amadurecendo a ideia de nos juntarmos por diversão, sem compromisso. Como se fosse nosso "baba" quinzenal, e as coisas foram se encaixando. Então tivemos a ideia de expor um pouco do nosso som. Ver como as coisas andam.
Quais as principais influências, seja na musicalidade, quanto nas letras?
Influências? Tudo que a gente ouve né, principalmente na fase de adolescente. Pô, essa é a fase que se molda muito da personalidade e do gosto musical também.
Ouvíamos de tudo, desde samba a grindcore, do baião ao funk. Tim Maia, Raul, Gonzaga, Novos baianos. E fora as bandas dos anos 90. Vixe, ai ouvíamos muito. As letras como não podiam deixar de ser, era pura contestação. É justamente isso. Contestação social, ser argumentativo. Fazer e se fazer refletir. Às vezes imaginamos que as coisas poderiam ser melhor como um todo se as pessoas se permitissem refletir mais intensivamente sobre o que acontece.

Como foi a produção desse EP? Teve o apoio de algum selo ou foi independente?
Independente, claro. Gravamos tudo no estúdio Z6, do nosso amigo de longa data, Paulinho Marola (Ex-Diamba, atual Fayamará) que sempre foi uma forte referência para todos nós. Devemos muito a ele nessa etapa.
O EP veio da ideia de registrarmos nosso material, mas de uma forma amadora, só pra gente mesmo. Gravamos uma faixa por canal (pista) e fizemos quatro ao vivo, no groove. Alguns amigos gostaram do material e botaram a pilha. E nós comemos. O resultado tá aí. Lógico que é uma gravação "demo", mas da pra entender um pouco da proposta. Mais pra frente, vamos gravar essas ao vivo como gravamos a outra primeira faixa. Planos futuros.

Existe a possibilidade de vir um CD completo agora?
Nesse semestre, queremos entrar em estúdio para gravar algumas músicas com uma qualidade final melhor, temos algumas ideias e realmente falta um pouco de tempo. Mas a possibilidade sempre existe, quem sabe aparece alguém interessado em investir e possibilita de uma forma mais estruturada.

É bem complicado viver de rock and roll na Bahia. Geralmente quem tem banda, precisa ter outro emprego para pagar as contas. Como é isso com vocês?
É exatamente isso ai, ninguém vive só de musica aqui. Na verdade é nosso hobby. Cada um tem sua profissão... roadie, serigrafista, taxista, professor. Mas estamos aqui, firme e forte. Na resistência.

O espaço é de vocês, fiquem a vontade pra dizer o que quiserem!
Queremos agradecer muito a oportunidade concedida, acho excelente a ideia de ter algumas pessoas que não deixam o cenário alternativo abandonado. Sempre existiu essas limitações de divulgação e sempre tem os que resistem.
Quem não conhece a Rapadura do Nordeste, terá ótimas oportunidades agora em janeiro. Vamos tocar hoje no Buk Porão (Pelourinho), dia 10 no Irish Pub (Rio Vermelho), ambos os eventos com a entrada livre. Tem uma data que ainda não esta confirmada, mas creio que seja entre 18 e 21/01 no 30 Segundos Bar (Rio Vermelho) e dia 28/01 em Itapuã.. Em Abril temos um evento também já confirmado, mas isso é mais pra frente. Estamos sempre abertos a propostas, buscando oportunidades e vendo o que pode ser feito.