quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Entrevista com o Bruno da banda Lavage

Conversei com o Bruno, vocalista da banda cearense Lavage. A banda já está na estrada há quase 10 anos, e o Bruno nos conta um pouco sobre toda essa trajetória. 
Bruno Lavage - Vocal
1-Primeiramente de onde veio esse nome? E quando resolveram montar a banda?
Bruno - Lavage é uma expressão nordestina para comida de porco. Esse nome veio da mente do primeiro baixista, William, durante um brainstorming nas calçadas da vida. A ideia da banda começou mesmo em meados de 2002 e eu fui reunindo colegas que tocavam algo perto da minha casa. Não deu muito certo no começo, mas tínhamos composto muita coisa. A banda começou mesmo com a entrada do Rogério Ramos na bateria. Era março de 2003. Daí em diante, passamos a ensaiar, tocar e gravar. Ou seja, passamos a levar o passatempo a sério e caímos de cabeça no mundo do underground de Fortaleza.
Banda Lavage direto de Fortaleza-CE.
2-Como era a cena naquela época em Fortaleza? E hoje em dia, melhorou ou piorou?
Bruno - Era uma cena muito legal, com muito entusiasmo e muitas bandas boas. Só não tínhamos a presença tão forte da internet pra ajudar a congregar a galera, divulgar bandas e eventos e trocar informações. Atualmente a net oferece uma plataforma de divulgação muito boa para quem está começando. Além disso, as bandas hoje em dia já começam com uma consciência diferente e um nível de profissionalismo alto. Por outro lado, essas facilidades deixam o pessoal meio acomodado às vezes, achando que apenas o mundo virtual pode sustentar a banda, quando na verdade, o mais importante é meter as caras e sair pra tocar e conhecer o mundo e as pessoas.

3-Quais bandas cearenses você indicaria para os leitores do Tosco Todo?
Bruno - A cena cearense tem bandas excelentes em todos os estilos que você observar. No indie, temos a galera da Selvagens à Procura de Lei. No metal extremo tem uma pá de bandas boas: Encéfalo, Clamus, Obskure, Inonsense, Betrayal e por aí vai. No campo do punk/HC, a galera da Thrunda e Chicones tem feito um trabalho muito bom e temos nos encontrado bastante nas gigs. Pra quem curte algo mais hard, a Full Time Rockers é uma boa pedida. Enfim, a cena daqui é bem variada e as bandas possuem um nível muito bom.

4-Em 2005 a banda lança o primeiro trampo chamado simplesmente "Lavage". Como foi a concepção desse material? Era um disco bem punk esse, né?
Bruno - Tínhamos gravado uma demo muito tosca em 2003, com pouco mais de três meses de ensaios e o resultado ficou abaixo do esperado. Tocamos esse repertório exaustivamente e sentimos que faltava algo. Compomos onze faixas inéditas e fomos para o estúdio. Apesar das deficiências técnicas, conseguimos gravar um material que serviu como referência estética (pra nós) e que abriu portas para festivais maiores, como a Feira da Música de Fortaleza de 2005.
Sem dúvida, as distorções estavam no talo e o vocal muito “podre”. Eu detestava ouvir minha voz normalmente, daí eu inventei um jeito de disfarçar minha voz. Na verdade, eu ainda estava procurando um estilo de interpretação que me deixasse satisfeito e que tivesse o mínimo de originalidade. Botamos uns solos na fase final do disco, após a entrada do Taumaturgo na guitarra solo e isso, de certa forma, melhorou o trabalho das guitarras. O guitarrista base (Wellington) não tinha noção de teoria musical, então tudo que criávamos era bem sujo e agressivo. O Tauma trouxe um pouco mais de refinamento com uns solos e riffs mais “trabalhados”.
Baixar a Primeira Demo da Lavage-2005
5-Já em 2007 a Lavage lança a demo "Consumocracia", que já apresentava algumas pequenas mudanças no som, mas com as letras permanecendo pelo punk rock. Era a mesma formação do primeiro disco?
Bruno - Não, nesse período trocamos de guitarrista e baixista. O guitarrista original foi assassinado numa tentativa de assalto no Carnaval de 2005, poucos dias depois do fim da mixagem do primeiro disco. O irmão dele tocava baixo conosco, mas depois pediu pra sair porque não aguentou a barra. Estávamos passando por momentos difíceis e pensei muito em acabar com a banda. Por sorte, o projeto tinha crescido e atraído a atenção de muita gente. Não faltaram pessoas se candidatando pra tocar. No “Consumocracia”, tivemos baixos gravados pelo Daniel Queiroz e pelo Rafael Maia, que tá com a gente até hoje. As guitarras ficaram por conta do Tauma e do novo guitarrista, Everardo Maia, outro que permanece nas fileiras até hoje. Com dois guitarristas muito bons, elevamos o nível do trabalho nessa parte e colocamos por terra essa história de guitarrista base e solo, posto que ambos tinham liberdade para fazer o que quisessem.
Esse disco foi um dos mais confusos e as faixas não dialogam entre si para formar um todo homogêneo. Mas talvez essa falta de unidade seja uma marca do nosso trabalho. Nesse campo, a gente tenta seguir os passos do Clash e não deixar que o rótulo punk reduza nossas possibilidades estéticas. Ou seja, tocamos o que der na telha.
Baixar Consumocracia-2007
6- No album "krisis" de 2008, a banda continua na linha do primeiro disco, punk rock, com letras diretas. E nesse disco já dava pra perceber uma identidade na banda. Como foi o caminho para alcançarem isso?
Bruno - O entrosamento é fruto dos shows e da vivência na cena. As coisas não são muito planejadas nesse quesito. Não pensamos o conceito do álbum para depois compor as músicas. A produção vai fluindo naturalmente, a gente grava e lança o material.
Baixar Krisis-2008
7-A Lavage já dividiu o palco com bandas consagradas da cena basileira como Mundo Livre S.A., Zefirina Bomba, Marcelo Nova, Plebe Rude, entre outros. Mas qual foi o show inesquecível?
Bruno - O show memorável foi na terrinha (Salvador) no Palco do Rock de 2009. Praia de Piatã lotada, mais de 10 mil pessoas por lá curtindo rock em pleno Carnaval. Subimos no palco depois do Plebe Rude e botamos a galera pra pogar, inspirados pelos nossos heróis de Brasília. Eu lembrei minha adolescência, quando eu ouvia o vinil “O concreto já rachou” e fiquei viajando. Nenhum sonho louco meu daria conta de que um dia eu iria dividir o palco com eles. Foi uma noite épica.
Lavage no Festival Palco do Rock de Salvador-BA-2009
8-Ano passado a banda lançou seu mais recente trabalho, o CD "Punk Pop?". O título já era uma pista da mudança no som da banda ou foi simplesmente uma provocação aos punks radicais de plantão?
Bruno - Primeiro, a gente tá realmente tirando um sarro com esse conceito de “pop punk”, que a mídia usa pra classificar o som de bandas como Blink 182, Good Charlote e por aí vai. Eu acho uma classificação tremendamente infeliz. Por outro lado, quem conhece a história do punk, sabe que a turma lá dos Ramones e companhia se inspirou bastante no pop e no rock das décadas de 50 e 60 pra fazer o som deles. Então, essa fronteira entre punk e pop é meio fina. De mais a mais, a gente quer apenas tocar sem se preocupar com o que vão achar ou qual classificação vão dar. Temos quase dez anos nessa história, então acho que podemos nos permitir isso, não acha?
Baixar Punk Pop?-2011
9-Na sua concepção, o que vem a ser um cara punk rock de verdade?
Bruno - Um genuíno punk rocker tem uma postura crítica e sarcástica com relação à vida. Questiona as coisas e se indigna com o que está errado. Mais que isso, faz algo pra mudar as coisas das quais não gosta. Um punk rocker de verdade não se reduz às bandas que conhece e procura ter atitudes libertárias no cotidiano.
Clipe da música "Olhar Chapado"
10-A Lavage tambem grava músicas em inglês. Qual o objetivo dessas gravações? Pensam em uma carreira internacional?
Bruno - A gente faz isso pra tentar facilitar a entrada do som em sites gringos, onde o idioma oficial é o inglês. Mas não há uma profunda proposta mercadológica nisso. É só uma tentativa de adequar melhor nossa comunicação com quem não fala português.
Clipe da música "No longer"
11-Hoje a banda passeia entre o punk rock e o indie. Qual a atual formação e o que a galera da Lavage anda ouvindo ultimamente?
Bruno - A escalação do time é: Bruno Andrade (vocal), Rafael Maia (baixo), Everardo Maia (guitarra) e Rogério Ramos (bateria). Escutamos sons muito diferentes e isso, indiretamente, se reflete no som que fazemos. Eu escuto muito indie rock e punk. Ultimamente to parado nos trabalhos novos do The Hives, The Vaccines, Gogol Bordello e Muse. O baixista tá vivendo uma fase reggae roots. O Rogério escuta muita coisa nacional e os clássicos internacionais. Ele não se liga muito em ouvir os sons “da moda”. Já o Everas passou da fase metal para uma fase pop, ouvindo Snow Patrol, Maroon 5 e outras bandas da atualidade. Tô encorajando ele a ouvir o trampo novo do Bloc Party para sacar umas estripulias novas com os pedais.
Lavage é: Rafael (baixo), Bruno (vocal), Everardo (guitarra) e Rogério (bateria)
12-E agora, quais os próximos projetos? Algum disco novo a caminho? E shows, andam fazendo com frequência?
Bruno - Em outubro, tocamos no maior festival de música do Ceará, o Ceará Music. Dividimos o palco com peixes grandes do rock nacional e internacional. Estamos gravando o quinto álbum, comemorativo aos 10 anos de grupo, que devemos lançar no início de 2013. Os shows tão aparecendo bastante no segundo semestre e vamos nos desdobrar pra tocar, gravar, ensaiar e viver nossas vidas como sempre fizemos. Queremos dar uma viajada pelo Nordeste divulgando o álbum no ano que vem.

13-Véio, valeu pela atenção!!! O espaço é da Lavage!!!
Bruno - Obrigado pelo espaço pra divulgar nosso trabalho. Se liguem na galera da Tosco Todo e em toda a cena underground do Nordeste porque estamos fazendo um belo trabalho. Acessem o Google, digitem “Banda Lavage” e conheçam melhor nossa história de vida e nosso trabalho.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Entrevista com o Beto do Não & Proliferação

A entrevista de hoje é com o Beto, vocalista e guitarrista da banda Não & Proliferação, de Salvador-Ba. Com o pé nos anos 80 e a cabeça no presente, armando o futuro, o Beto nos fala um pouco sobre o inicio da cena punk soteropolitana, as tretas, e principalmente sobre as boas lembranças, além dos novos projetos. Acompanhe aí e compartilhe um pouco da história do punk rock baiano!!!
Beto na guitarra do Não & Proliferação
1-Primeiramente, nos conte um pouco sobre a história da formação da Não & Proliferação? Quando foi que tudo começou?
Beto - Na verdade essa é uma junção de 2 bandas, como na época poucas pessoas tinham tendência ou se identificavam com este tipo de som, acabávamos formando bandas diferente e com integrantes comuns entres as bandas. É uma longa história, que começou em 84 com a formação da Revolta Suburbana na qual eu era guitarrista. Fizemos apenas uma apresentação, abrindo para o Cólera no Forte São Diogo ( Porto da Barra ). Não tinha guitarra e tive o privilégio de tocar com a guitarra do Redson ( uma Giannini Preta com captador humbucking na ponte ) inesquecível. Depois tive a oportunidade de tocar com o Cólera outras vezes aqui em Salvador e em Alagoinhas-Ba.
O ingresso do show do Cólera era um patch em 1984.
2-Quais eram as influências naquela época? Como vocês faziam para estar sempre atualizados sobre o punk em Salvador?
Beto - Foi uma época muito bacana, não tínhamos a facilidade de hoje, é óbvio. Nós nos encontrávamos na praça da Piedade e na Escola de Comunicação ( UFBA ) para trocarmos idéias e materiais que cada um descolava. Tinha um pessoal mais articulado que trazia material vindo de fora; pela revista Flip Side ou através de contato com algum estrangeiro.
Lembro de ter ouvido Sex Pistols, Black Flag, Dicks, Rattus, Dead Kennedys, DOA, Ramones, Clash, etc. Tudo isso através de fitas cassetes, compactos, LP´s que a moçada trazia de fora. Era um glamour, ver as caixinhas chegando cheias de papel picado e isopor para proteger as fitas e o pessoal abria, ligávamos o toca fita e...cara, de fuder.
Em seguida abriu-se lojas aqui em Salvador que trabalhavam com estes materiais; Not Dead, Hai Kai, Coringa, Bazar, Na Mosca e por aí vai...agora não posso deixar de citar 3 pessoas que tinham as lojas aqui e deram a maior força; Ednilson Sacramento, Jardel e Luiza Maia. Cara, esse pessoal teve a maior influência aqui, inclusive Ednilson e Jardel estavam envolvidos na produção que trouxe o Cólera pela primeira vez.
Beto, Henrique e Dielson formam a Não & Proliferação.
3-Como era a cena aí, existiam muitos shows?
Beto - Sim, apesar da precariedade de espaços. Sempre aparecia alguns caras que abriam as portas para rolar um som, tinham bandas muito bacanas também. Me recordo de uma banda muito, mais muito de fuder, chamada Homicídio Cultural. Também existiam na época os circos; Troca de Segredos e Relâmpago ( rolou Ratos de Porão e Psykoze / Inocentes aconteceu um pouco depois ).
Proliferação em show na Cidade Baixa-Salvador-BA. 
4-No final dos anos 90 o baixista Dinho da Não morreu junto com um outro parceiro da banda Bosta Rala numa batida policial desastrosa aí em salvador. Como vocês receberam essa notícia, e o que resultou tudo isso? algum policial foi punido e preso?
Beto - Porra cara, sem comentários. Este foi um divisor de águas, pois deixamos de andar nas ruas, as coisas não ficaram muito legais. Nos separamos, cada um foi cuidar da família, neste período todos já estávamos com filhos, o clima ficou bastante tenso. E independente de banda, nessa época estávamos muito ligados uns aos outros, nós éramos muito unidos, uma irmandade mesmo. Muita coisa mudou, que eu saiba ninguem foi punido, mas o bacana é que eles não destruiram os nossos laços, sempre nos encontramos, sempre!!
Dielson na bateria do Não & Proliferação.
5-Depois de tantos anos na cena, só em 2005 a Não & Proliferação gravou o primeiro trampo "Mordendo e dando coice". Qual o motivo dessa demora, e como foi o processo de produção e gravação desse disco?
Beto - Na verdade em 2005 voltamos justamente com este intuito de gravar algumas músicas de ambas as bandas para termos um registro da coisa, este era para ser um CD Demo apenas para vermos o que podíamos melhorar, como ficou com a cara que a gente gosta, não lapidamos mais nada neste registro.
O processo foi o seguinte, reservei 3 períodos num estúdio, nós ensaiamos um, o segundo não rolou ( o batera teve problemas e perdemos o horário ) e no terceiro gravamos em uma só tomada, num período de 5 ou 6 horas fizemos tudo.
E antes ensaiamos algumas vezes para relembramos as músicas e organizar as coisas, como nas antigas né, no quartinho da bagunça, aqui em casa.
A produção como sempre independente, reservei uma grana, tirei grana e tempo das férias neste ano disponível para condicionar a gravação deste registro. E foi gratificante, temos centenas de cópias deste registro rodando por aí.
DOWNLOAD AQUI
6-Vocês participaram do Projeto Pôr do Sol Hardcore, gravando um DVD aí na periferia de Plataforma em Salvador. Como foi essa experiência?
Beto - Foi muito bacana, O Lenon Reis nos fez o convite, aí aceitamos na hora. Foi muito bacana tocar lá, parecia que tinha voltado no tempo. O cenário natural daquela área é magnífico.
Projeto Pôr do Sol Hardcore
7-Você tem um projeto chamado "Tapete Voador", que leva música e arte para as ruas. Como surgiu essa idéia e como funciona?
Beto - O Tapete Voador é um projeto itinerante que visa levar um pouco de cultura alternativa as praças públicas, independente de público pré agendado. Funciona na cara, fazer a performance para quem tá passando na hora, tomando de assalto as ruas.
Mostrar nossa música, a arte, a expressão, aquela ação que as pessoas não estão acostumadas a ver e ouvir.
Dediquei muito financeiramente para concepção deste projeto, inclusive neste período não foi feito nenhum registro ( gravação ), pois todo o recurso que tinha foi investido em material para realização do Tapete Voador. E foi bom, pois hoje a banda funciona de forma independente, adquiri uma experiência que hoje posso produzir nossos eventos com a estrutura que temos, sem depender diretamente de terceiros ou atrasa lado ( que é um grande inimigo para nós que fazemos um lance alternativo ).
Projeto Tapete Voador - Foto: Sora Maia
8-Gostaria que você falasse sobre a diferença da cena dos anos 80 para a cena atual aí em Salvador? O que você anda ouvindo de novo por aí?
Beto - Mudou muita coisa cara, acredito que antes era mais underground, tinha um tesão maior para se ouvir alguma coisa, hoje está bem mais fácil, você ouve o que quer e a hora que quiser, e ainda tem Blootooth ( rs ). Mais isso é bom, sempre preguei pela liberdade, na música, da arte, e hoje está aí.
Porra cara, algo de novo?? É foda. Ouço várias coisas, mais sempre me paro ouvindo, Fear of War, Dead Kennedys, Toy Dolls, Bob Marley, Steel Pulse e Pinky Floyd, é foda.
Primeira Edição do Palco do Rock. 18 anos atrás com presença da Não & Proliferação.
9-E agora, quais os projetos daqui por diante?
Beto - Divulgar nosso material, fazer shows, e também tenho um projeto de resgatar as gravações perdidas em demo tapes da Não e também da Proliferação, comprei um tape deck e estou preparando um material robusto com toda essa história para distribuir. O tape da Não eu não sei onde coloquei, mas a da Proliferação já encontrei, tem um monte de bagaça aqui no meu quarto, é uma zona, mas sei que está tudo aqui!!!
Agora estamos ensaiando um novo CD ( Provavelmente seja duplo ), a idéia é gravar canções que não registramos ainda, algumas novas e uma parte dedicada a releituras de Bob Marley. Era para agora no segundo semestre, mas tem atrasado um pouco. Sei que todo mundo estranha o fato de termos tanto tempo e não ter material, mais éramos fudidos pra caralho, fudidos mesmos. Tinha bandas que tinham grana, de família de grana e tal, nós éramos ralé mesmo!!!
Hoje as coisas melhoraram pois os meninos já estão grande, tô em um trampo melhor, e dedico parte de minha vida para isso, aliás lembro que sempre nas nossas noitadas e biritadas, nós conversávamos que mesmos quando estivéssemos velhinhos, iríamos encostar as cadeiras, o sofá, botar os guris e a mulher para  rua, e íamos fazer o maior som ( rs ), bons tempos...
Henrique Simões-Baixo
10-Muito obrigado pela atenção e deixo o espaço pra você falar sobre o que quiser, deixar contatos, o espaço é seu:
Beto - Agradeço a oportunidade do espaço para divulgar sobre a nossa história e projetos desenvolvidos e mostrar o quanto é importante e satisfatório mantermos a chama acesa de fazer o que gostamos. Segue aí alguns links para quem se interessar em conhecer o nosso trabalho. Valeu, e obrigado a todos!!!
Outros canais com Não & Proliferação:
Facebook: http://www.facebook.com/tapetevoador
Não & Proliferação na Vandex TV: http://www.vandex.com.br/
Fotolog: http://www.fotolog.com.br/naoproliferacao
Matéria no site Rock Loko: http://rockloco.blogspot.com.br/nao-proliferacao

sábado, 13 de outubro de 2012

Entrevista com o Egberto do Cidadão Dissidente

Hoje apresento mais uma banda da cidade de Feira de Santana-BA. Cidadão Dissidente. Conheci o Egberto, vocalista, em 2009 durante um show do Cólera na cidade de Simões Filho-BA. A banda do Egberto está em fase de finalização do novo CD, previsto ainda para 2012. Acompanhe e saiba mais sobre isso e toda a história da Cidadão Dissidente: 
Egberto Insano - Cidadão Dissidente
1-O que levou vocês a montarem uma banda em 2007 na cidade de Feira de Santana-BA. De onde veio o nome Cidadão Dissidente? E quais eram as influências?
Egberto - Há muito tempo antes do inicio da Cidadão Dissidente, que eu já tinha feito parte de uma ou outra banda local, porém nada sério, e nem nada meu mesmo no qual eu pudesse expor as minhas ideias...Porém, no ano de 2006, após eu ter sido convidado a tocar em um tributo a Renato Russo, resolvi desenterrar essa idéia, e fui em busca de pessoas, músicos, que estivessem afim, que topassem fazer parte deste projeto....O nome Cidadão Dissidente, foi escolhido por dois motivos: Logo de cara eu queria um nome composto pra não rolar de futuramente eu encontrar uma outra banda com o mesmo nome nosso, coisa que ocorre muito quando você coloca um único nome em uma banda... E o segundo motivo, foi após eu pensar em várias combinações de nomes que ficassem bem de acordo com o que pensamos, com o que é o nosso som , me veio o Cidadão Dissidente: CIDADÃO = Pessoa de bem...DISSIDENTE = Aquele que não aceita fazer parte do que não concorda com as regras, para poder montar o seu próprio grupo e fazer da forma que melhor acha correto...CIDADÃO DISSIDENTE: Cidadão formador de opinião...Sobre nossas influências , essas vêem desde a década de 50 até mais ou menos os dias de hoje : Elvis, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry , Ramones, Clash, Buzzcocks, Sex Pistols, Dead Kennedys, The Cure, The Smiths, Replicantes, Plebe Rude, Legião Urbana, Inocentes, Cólera e etc.
Egberto em estúdio com a Cidadão Dissidente
2-Como era a cena local nessa época? Acontecia shows com frequência aí na cidade?
Egberto - Na época do inicio da Cidadão-D, a cena local tava meio que parada, algumas bandas mais antigas tinham dado um tempo, uma parte da galera que colava em shows tava meio que sumida...Mas mesmo assim rolava vez ou outra um ou outro sonzinho e talz...Tipo, foram até coisas deste tipo que nos levaram meio que a começar a produzir alguns eventos lá pelo fim de 2007...Pra ver se voltava a movimentar a cena Rock N Roll local.
3-A cidadão Dissidente gravou um ensaio/demo naquela época. O que esse material gerou para a banda?
Egberto - Pow man, a gravação da demo em 2007 foi bastante legal...Tipo, deu para as pessoas que se interessaram pelo nosso material terem uma ideia da nossa proposta sonora, e foi através dessa demo também que começaram a rolar convites pra tocar em festivais em outras cidades e talz...Começaram também a rolar alguns convites para abrir shows de bandas maiores e mais tradicionais.
Demo/ensaio de 2007
4-A banda já tocou com nomes consagrados do rock brasileiro. Como surgiam esses convites? E qual show foi inesquecível na sua opinião?
Egberto - Porra!!! Inesquecível mesmo pra mim foi o show com o Cólera...Porra!!! Tocar com uma banda da qual você curte o som desde pivetinho é algo fodástico!!! Neste meio tempo também fomos convidados a abrir shows pro Cascadura e pro Matanza, também foram experiencias legais, pois pequenos convites e conquistas como essas é que fazem a gente ver que vale a pena insistir e lutar sempre e sempre pelo que nós acreditamos.
Cidadão Dissidente tocando em simões Filho-BA com o Cólera
5-Em 2010 a Cidadão Dissidente lança o EP "No silêncio Da Noite". Nessa gravação a banda ainda mantinha a mesma formação inicial de 2007?
Egberto - Infelizmente não tínhamos mais a mesma formação que iniciamos o projeto da banda não...É foda man!!! Cada pessoa é uma cabeça e cada cabeça é um mundo...Foram rolando vários e vários problemas internos, problemas comuns entre bandas, que nem valem a pena o cara comentar...Hoje, da formação original só estou eu e Igor Santos(baixo), mas o importante é que estamos vivos, na luta, na batalha, e a cada dia que passa estamos mais felizes com o nosso trabalho.
EP de 2007
6-Alguns meses depois a banda lança o Single "Anjo Atormentado", que depois gerou até um video clipe. Como que rolou essa produção?
Egberto - Pow man, coisas e coincidências da vida mesmo...Tipo, eu conheci aqui em FSA um rapaz chamado Diego que cantava em uma banda de Post Punk, ele estava de partida para SP, pois ia meter as caras em uma faculdade de cinema...O tempo foi passando, e logo após a gravação do nosso single "Anjo atormentado", eu encontrei o Diego aqui pelo facebook e ele me mostrou uns curtas que ele estava produzindo, de cara me veio a ideia de fazer um clipe de nossa música num formato de curta, somente as cenas interpretadas por um ator, sem a presença de imagens da nossa banda...Bom!! O Diego gostou, levou a idéia pra sua turma de cinema lá em SP, a galera adorou a idéia, e o clipe foi rodado e talz...
Single Anjo Atormentado-2007
Clipe da música "Anjo Atormentado"

7-E agora, o que a Cidadão Dissidente tem de novidade? Algum material novo no forno?
Egberto - No momento, no dia 01 de novembro de 2012 estaremos lançando o nosso primeiro CD oficial, intitulado "Antigas Novidades & Novidades Antigas", é um CD com 12 faixas, destas 12 faixas serão 3 músicas novas, 5 regravações de músicas nossas antigas rearranjadas, e mais 4 músicas bônus , retiradas de gravações demos tosconas que fomos fazendo aí pelo caminho...O nosso show de lançamento ocorrerá aqui em FSA na Boate Offsina Music Lounge, no centro da cidade...No Dia 01 de Novembro (Véspera do feriado de finados), ingresso R$ 8,00...Show: A VOLTA DOS MORTOS VIVOS!!!
Capa do novo CD do Cidadão Dissidente
8-Valeu, véio. Obrigado pela atenção, o espaço é seu para acrescentar algo que não perguntei, e também para deixar os contatos e considerações finais:
Egberto - Pow man, eu gostaria muito de agradecer a você pela oportunidade de falar um pouco sobre mim e sobre o nosso trabalho musical, e de maneira alguma não posso de deixar de te dar os parabéns pelo apoio a cena independente que você vem dando de maneira mais que relevante através do seu blog, de suas divulgações de eventos, e também pela gigantesca contribuição que a Cama de Jornal vem dando à cena Punk baiana, dando voz ao subúrbio, metendo o dedo na ferida de muita gente.. Parabéns mesmo man, e qualquer coisa que eu puder ajudar e estiver ao meu alcance, estamos aqui!!
Contatos:
email: cidadao_dissidente@hotmail.com
www.myspace.com/cidadaodissidente
tnb.art.br/rede/egberto
Video da nova música "Entorpeço-me"


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Entrevista com o Alexandre do Pato Junkie

Converso hoje com o Alexandre Mula, vocalista da banda mineira Pato Junkie, que nos conta um pouco sobre a história da banda, a cena local e sobre novos projetos. Acompanhe aí:
Alexandre Mula - Vocal do Pato Junkie.
1-O nome Pato Junkie tem alguma coisa a ver com o nome da cidade de vocês?
Alexandre - Sim, moramos em uma cidade que se chama Patos de Minas, e quando criamos à banda a gente queria mexer um pouco com a mente dos cidadãos patenses, aplicando o termo Junkie para definir um estilo de vida alternativo. O nome é um escracho a nossa cidade, dando vazão ao lado sujo, podre e desgraçado que é jogado pra debaixo do tapete. Enfim, pode ter seu lado critico e também bem humorado, essa questão varia quanto ao tema lírico que cada música leva em si.
Wellington Baiano na bateria.
2-Qual era a proposta de vocês ao formarem a banda em 2009?
Alexandre - Temos uma proposta de usar a música como uma forma de protesto contra tudo, visamos a liberdade geral. Vivemos em um mundo distorcido onde a realidade é maquiada para que tudo pareça ser belo, rico e limpo. A felicidade é demonstrada como uma forma monstruosa de consumo, onde no final das contas o homem consome a si próprio. Vimos-nos na necessidade de criar uma banda onde o principal foco fosse direcionado a contestar todos os meios através de anúncios falaciosos, promessas e falso moralismo que agem como sangue suga de toda uma nação.
Pato Junkie na II Gig Punk de João Pinheiro-MG

3-Quais eram as influências naquela época?
Alexandre - Ramones, Suicidal Tendencies, RxDxPx, Bad Brains, Crass, , Grinders, Discharge, BSB-H, Besthoven, Ulster, Amebix, Olho Seco, DxFxC, Pantera, AntiCimex, Black Flag, Exodus, Motorhead, Lobotomia, GBH, Treveet Kadet.
Max Brian no Baixo.
4-O Pato Junkie mantém a mesma formação desde o inicio ou passou por alterações?
Alexandre - A banda passou por algumas formações, tendo apenas hoje na formação original eu Alexandre (Mula) no vocal, e Wellington (Baiano) na bateria. No inicio a banda tinha como guitarrista o Diego Killchusher que hoje toca na banda Hammerthrash, que saiu da banda em 2010 por ter que dedicar mais tempo ao Hammer, em seguida chamamos um grande parceiro nosso, o Guilherme da banda Folego, para quebrar um galho até que encontrássemos o guita oficial, que pouco tempo depois encontramos um amigo das antiga que se adequava muito bem a banda, o Guilherme (Punk) que hoje é o atual guitar. Durante esse tempo tivemos o prazer de tocar com uma pessoa fundamental pra banda e que temos o maior orgulho de poder falar que ele segurou o baixo do Pato Junkie e ajudou a fundar a mesma, “Ítalo Lima” autor de grande parte das musicas que tocamos e criador do nome da banda, em 2011 o Ítalo teve que se ausentar da banda por motivos pessoais e por ter que dedicar mais tempo aos seus estudos, mas pra gente ele nunca deixará de ser um Junkie da nossa família. Enfim fechamos o quarteto com um grande camarada “Max Brian” que hoje é um irmão pra gente e manda muito bem no baixo!
Uma das primeiras formações ainda com o Ítalo.
5-Como é ter uma banda de punk rock no interior de Minas Gerais? Existe uma movimentação constante por aí? Como anda a cena local?
Alexandre - Bom, é sempre bacana tocar em eventos em Minas, achamos o pessoal daqui muito recíproco e hospitaleiro, achamos que quem faz punk rock, faz em qualquer lugar, seja em MG ou em grandes estados como SP e DF que são berços de grandes bandas de renome nacional e internacional. Por aqui na nossa cidade já se passaram grandes nomes como o TERROR REVOLUCIONARIO, MACAKONGS 2099, SLOT e mais um monte que estão sempre sendo convidadas a tocarem em gig’s por aqui. Sobre a cena, existe uma galera bacana aqui que sempre acompanha a gente e sempre comparece quando tem um bang legal, não é muito grande, mas a molecada que cola nos picos aqui, agitam pra caralho, as rodas aqui são descomunais, é muito bom quando a gente toca aqui e vê a molecada se arrebentando!!!!
Guilherme Punk é o dono da guitarra no Pato Junkie
6-A banda já gravou um EP chamado "FAÇA VC MESMO OU MORRA". Quando foi isso e quantas faixas tinha esse material?
Alexandre - O EP ‘FAÇA VC MESMO OU MORRA’ foi gravado em 2010 com apenas 2 faixas, na época a banda estava começando a ser chamada para eventos e muita gente queria conhecer um pouco do som, então a gente fez uma vaquinha e gravou as 2 musicas, sendo elas “FUCK THEM ALL” e “S.O.S PALESTINA”, não tínhamos grana pra fazer algo bem produzido, ai ganhei umas caixinhas de DVD e fizemos umas capas no xerocão mesmo, melhor isso do que ficar esperando uma gravadora tentar te bancar, por isto o titulo do cd.
Baixe AQUI as faixas de "Faça você mesmo ou morra": EP em capa de DVD doada pelos amigos.
7-A Pato Junkie já tocou em várias cidades do Brasil dividindo o palco com bandas como Condutores de Cadáveres e Sarjeta. Como foi essa experiência?
Alexandre - Sem dúvida alguma esta Gig foi uma das mais perfeitas que tivemos, dividir palco com uma das primeiras banda punx do Brasil e a renomada Sarjeta comemorando 15 anos de estrada, foi um privilegio de poucas, ver o Lendário Indião cantando a musica “CANCER” da banda Hino Mortal, foi relembrar muita coisa boa que o Pato Junkie já passou cantando esta música. E sem contar a ótima amizade que fizemos com a banda LIXO ATÔMICO.
Pato Junkie e Fábio Sarjeta no Porão Punk
8-E quais os planos agora? Algum material novo a caminho?
Alexandre - Bom, estamos ralando muito neste fim de ano, para que ano que vem seja de mais trabalho ainda, estamos preparando um material novo de publicidade e o tão esperado cd principal. Até dezembro devemos estar com o cd prensado já nas mãos que vai se chamar “PLAYBOY TEM QUE MORRER”, o álbum contara com 11 faixas inéditas e as 2 musicas do EP, já que foram poucas tiragens e muita gente ainda solicita o mesmo. Além de umas surpresinhas escondidas na mídia do cd!!! E estamos com algumas Gig’s marcadas pra lançamento do cd, entre elas estão Barretos SP, Brasília DF, Uberlândia MG e quem sabe algum convite ai em Vitoria da Conquista em.....rs!!!
Alexandre Mula a frente do Pato Junkie.
9-Valeu, o espaço é seu pra dizer o que não foi perguntado, e finalizar deixando todos os contatos da banda:
Alexandre - Bom, muito obrigado Nem tosco todo pela oportunidade de estar participando desta onda que você propaga pelo underground mostrando um pouco do nosso trabalho, precisamos de pessoas assim em todo Brasil apoiando sua cena local e dando valor a musica brasileira! Precisamos de meios como este belo trabalho que você faz para que bandas e pessoas que são engajadas no meio possam se conhecer e fazer intercâmbios, assim fortalecendo ainda mais o underground e trazendo cultura de boa qualidade pra todo país. Muito Obrigado mais uma vez! E de mensagem final deixo ‘HARDCORE, UNIÃO E RESPEITO SEMPRE’.
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Tel. pra contato: (34) 8805-1520 ou (34) 9907-5304
Pato Junkie - SOS Palestina