domingo, 9 de setembro de 2012

Entrevista com o Jorge Afonso do El Touch 77

O papo de hoje é com o Jorge Afonso, um grande parceiro que conheci pessoalmente ano passado em Goiania-GO. O cara é de Pernambuco, mudou-se para Goiás, tem um selo, produz coletâneas, gigs, tem a banda El Touch 77 e ainda faz uma faculdade...ufa! Esse é o guerreiro Jorge!!! Acompanhe aí o bate papo:
Jorge Afonso
1-Primeiro nos conte um pouco sobre a sua vida no meio underground. Foi lá em Recife que você montou a El Touch 77 e criou o selo Garage Band Underground?
Jorge Afonso - Para ser mais preciso o “ël touchë”(nome anterior) foi formado no dia 12 de junho de 2005 em Jaboatão dos Guararapes-PE, em um bairro que costumava abrir portas para bandas do Underground e foi ai que eu vi que podia por em prática o projeto da banda e acabei reunindo amigos de infância para tocar comigo. O legal que todos estavam a fim de fazer um som simples na base do som punk que era uma característica de todo o pessoal envolvido nesse meio naquele tempo. Eu acredito que teria achado os caras certo. Eu havia passado um tempo no interior de Pernambuco dando uma força para a cena de lá quando toquei no “Attack No Clear” (Tabira) e dei uma passada no “Uszerrados” (Floresta) e no instinto Selo SubRock Discos onde fizemos o "Rock Na Floresta" (2004). Nos primeiros dias compomos umas músicas e fomos ao estúdio para fazer nossos primeiros ensaios, era algo que fluía fácil, parecia que a gente já conhecia a influência um do outro, não teve muito trabalho para fazer os sons, tínhamos uma base do Flicts, 88 Não, Garotos Podres, Rasta Knast, Repressão Social, Ugly Boys, Transgressores, Cama de Jornal, Sublime, Irônika, The Honkers, Johnny Thunders, essa era o que andavamos ouvindo entre outras bandas e que viria a facilitar nos sons. Depois do primeiro show no Cabo-PE logo surgiu os primeiros convites para tocar juntos às bandas de HardCore do bairro de Prazeres e também no Recife. Chegamos a lançar uma demo tape “Nossas vidas é anarquizar”, fizemos algumas cópias e elas foram sendo passada de mãos em mãos pelos punks que iam aos nossos ensaios. Quando lançamos a primeira demo “Como Antigamente” em janeiro de 2006, resolvemos distribuir por nós mesmos e veio a ideia do GARAGE BAND UNDERGROUND, fizemos as capinhas e chegamos a vender apenas duas cópias por que já haviam pirateado a demo pirata e então acabamos dando a turma que colava nos nossos sons! Logo depois a “Saga” uma banda do bairro gravou a demo “Sociedade Fálida” e chegaram em nós no bar que sempre nos encontrávamos e disseram – também somos do Garage!
Download da Demo da Ël Touchë - Como Antigamente(2006)
2-Hoje você mora em Goiania. Qual a diferença entre as cenas dessas duas cidades?
Jorge Afonso - Não vejo diferença entre as duas cidades quando se trata do movimento Underground entre ambas, todo final de semana aqui em Goiânia sempre tem um show rolando, várias pessoas se movimentando não só no centro da cidade mais também nos bairros, as próprias bandas aqui se encarregam de fazer suas apresentações e as pessoas colam em massa para sacar o som ou mesmo os amigos movimentam um som e convida as bandas para se apresentarem e fica nesse ciclo. Um dia ou outro sempre vem bandas independentes de outros estados e até gringas, sempre tem show de bandas de Brasília por aqui. Aqui sempre estar surgindo novas bandas como “Livre¿ ” e outras já consagradas do cenário sempre representando como; Gerações Perdidas, Descarga Negativa, Sociofobia, Dejeto, Tarja Preta, Entre os Dentes, WxCx” O “Old Studio” e o “Capim Pub” é um lugar que abre bastante as portas para o Underground aqui. Existem outros festivais de grande porte que já é mais ligado aos rockeiros e uma turma alternativa. Já no Recife existe um grande movimento de grande porte e cultural também e também da turma do underground que se movimenta por lá fazendo suas gigs tanto no centro da cidade como em outras regiões, o pessoal da Ugly Boys, Nômades, Guerra Urbana, as bandas power violence de Maranguape (Paulista-PE), sempre articulando o movimento na região e nas cidades litoraneas do Nordeste. Como estou um pouco longe sempre fico atento ao que acontece por lá, para ficar um pouco informado. Ambas as cidades andam sempre se movimentando no meio da cena!
Jorge em Jaboatão dos Guararapes com a primeira formação da Ël Touchë
3-Aí em goiania você já organizou algumas gigs pelo Garage Band Underground. Qual a maior dificuldade pra movimentar algo aí na cidade?
Jorge Afonso - Sim. Foram uns poucos eventos que fiz aqui, mas eu pude acompanhar mais na velha saidinha aos fins de semana. A maior dificuldade é apoio de patrocinadores, ninguém aqui dá uma força para eventos pequenos, então você tem que fazer na base do faça você mesmo. Existem umas casas de shows aqui que abrem as portas para nós, dividimos a bilheteria, damos uma ajuda a alguma banda de fora e juntas umas bandas da cidade aqui e a festa estar pronta para começar. Divulgamos tudo pela Net e através de amigos, lançamos uns flyers pela cidade e só esperamos o pessoal chegar no dia do show. Dificilmente colamos cartazes pela cidade, sempre vem alguém e tira e dependendo do local a “AMMA” (Agência Municipal do Meio Ambiente) acaba com os shows. Daí sempre temos que ficar de olho com essas tais autoridades. No caso de quando a ” Cama de Jornal e Horda Punk” vieram tocar aqui no "Goiânia Go!"Foi tudo na raça mesmo, tanto do Garage Band Underground como das próprias bandas que acreditaram no evento, e que acabou dando tudo certo e ainda tívemos o gosto de ir vê-los tocarem em Brasília com bandas como “Os Cabeloduro”. Isso faz exatamente um ano. O último evento que eu fiz aqui foi o “Mundo Subterrâneo” que seria com o “Sarjeta” de SP, mais como houve uns problemas, ai acabei fazendo com as bandas daqui mesmo.
Gig organizada pelo Jorge em Goiania
4-Você também chegou a montar uma nova formação da Ël Touchë, com uma alteração no nome aí em goiania? Como anda esse projeto?
Jorge Afonso - Pois é, eu estava na pilha de tocar, todo esse movimento de shows que vinham acontecendo na cidade me fazia cada dia mais querer voltar a tocar, foi ai que depois de um bate papo com o Gustavo do “Skavarone” falando que seguraria o baixo para a banda e um amigo aqui próximo se prontificou a tocar bateria e tiramos os primeiros ensaios até o Fábio (Sarjeta) nos fazer um convite para tocar em São Paulo e logo fizemos nosso primeiro show com bandas como “Excomungados, Delito Social, Pato Junkie (MG)” entre outras. Bom que tívemos a oportunidade de andar com o Índião (Hino Mortal) e ter nos convidado para tocar em Porto Alegre-RS, pena que meses antes tínhamos parado por vários motivos. Quando voltamos para Goiânia chegamos a fazer uns 3 shows por semana, tudo que era evento a gente tava dentro, a turma nos receberam muito bem, convites viam direto e então resolvemos lançar uma nova demo de ensaio o “Junkie Food” (2011) que saiu em formato virtual pois era mais para mostrar como andava o nosso som depois da volta. Estávamos assinando a banda com o nome de “El Touch 77” diferente do “ël touchë”, não sei bem o motivo, mais foi assim que surgiu e mantemos as mesmas influências e outras novas como “Subviventes, Dead Boys, Ligotage, Partisans, Consciência Suburbana, 365, Blondie, Adverts, Vice Squad”. Estava tudo indo muito bem com a banda, mais tivemos um problema e acabamos ficando sem o baterista, dai ficou dificil arrumar alguém querendo tocar punk 77. O Alysson (Repúdio CxGx & Livre¿) estar me pondo pilha aqui para voltar com a banda, só estar faltando o baterista e voltar a tocar, mantendo a mesma linha que vínhamos tocando antes. O bom que não precisamos debater muito sobre como sairá os novos sons, pois, temos as mesma influências e assim fica fácil trabalhar em cima das novas composições e também mandar o repertório antigo que sempre anda nos seguindo. Talvez surja um projeto ai o “Camisa Surrada” com a mesma linha 77.
El Touche em Goiania-Go: Jorge Afonso/guitarra e voz, Dante/bateria e Gustavo/Baixo.
5-Através do Garage Band Underground você produziu várias coletâneas? Diga pra gente quais foram elas, e se tem projeto para uma nova edição?
Jorge Afonso - Passei um bom tempo produzindo umas coletâneas virtuais, era para ser todas fisicas, mais a gente sempre estar ocupado com tarefas que a vida impõe e então ficaram pela net mesmo. Foram várias, tantas com bandas brasucas e gringas.
HEY PUNK VOL. 01 - (88 Não!, Consciência Suburbana, Dejetos e Terror de Estado”ARG”). (2010)
HEY PUNK VOL. 02 - (Punk até Morrer, Drunks, Discontrölly Social e Acracia “ARG”). (2011)
HEY PUNK VOL. 03 - (Plebeus Urbanos, Causa de Morte, Geração Ofensiva, Esmegma e Sintomas de Crisis “COL”). (2011)
PUNK ALL PUNK VOL. 01 - (FHC, Arroto, Cabeças Podres, Estado de Defesa, Ketamina, El touch 77, Geração Ofensiva, Repúdio CxGx, Plebeus Urbanos e Agrotóxico). (2010)
PUNK ALL PUNK VOL. 02 - (Menstruação Anarquica, Artigo DZ9, Cama de Jornal, Chabanes (ARG), Consciência Suburbana, Veedu (VEN), Rejects, Los Razones (ARG), Augusto Pinochet (CHI), Sarjeta, Kranko e La Sangre de Veronika (URU)). (2011)
TERRITÓRIO UNDERGROUND - (Vendo 147, Repúdio CxGx, Saga, Manos Muertos (ARG), El touch 77, Joãozinho Podre, Consciência Suburbana, Zona 84 (ARG), Tortura HC, Nômandes, MonstroMorgue, Ataque Cardíaco, Comendo Lixo, Causa de Morte, Sublevados (ARG), Cabeza de Navaja (ARG), Estado de Defesa, Terror de Estado (ARG), Cabeças Podres, Long Way e Kristo Muerto (ARG). (2010)
PUNK ROCK SCHOOL VOL. 01 – (Nueva Fuerza (ARG), Desilusión Explìcita (ARG), Cabeza de Navaja (ARG), No Clear e Sexy Pato). (2011)
PUNK ROCK SCHOOL VOL. 02 – (Theskuidados, Submisíon, 023 e Zona Seis) “Todas da Argentina” (2011).
E já estou providenciando o PUNK ALL PUNK VOL. 03, comecei a dá o ponta pé inicial nessa nova coletânea e espero que ela tenha o mesmo respaldo que os volumes passados, logo logo concluo esse trabalho. O pessoal pode achar essas coletâneas e outros links no blog:
Clique na Logo para acessar o blog do Jorge.
6-E depois de 4 anos morando em Goiania, o que você guarda de boas recordações desses anos todos, de toda a correria?
Jorge Afonso - O bom desse tempo que eu estou passando aqui foi ter visto várias bandas da cena independente brasileira, pude ver show do Merda, Test, Subterror, Os Maltrapilhos, Defy, The Insült, Terror revolucionário, Vendo 147, Besthöven, Jäpürä Noise Project, Bestial War, Innocent Kids, Ratos de Porão, Murro No Olho, Nossa Escolha, Tropical Youth, Garotos Podres, Zumbis do Espaço, e ter dado uma força nos dez anos da Insetus Produções que teve Agrotóxico, Olho Seco... São várias bandas que eu até esqueci muitas, principalmente às que vem de Brasília ou até mesmo indo lá para ver alguns shows! Da própria vinda do Cama de Jornal e Horda Punk que fez realmente eu sentir forças e acreditar que estou em mais um lugar diferente e fazendo o que gosto.
Jorge com a galera da Cama de Jornal e Horda Punk no Old Studio em Goiania-Go.
7-O que você anda fazendo aí nesse momento? Produzindo alguma coisa? Quais os projetos para o futuro?
Jorge Afonso - Comecei a fazer faculdade de Geografia e isso fez eu me afastar um pouco da cena, mexer com banda, mais aos poucos estarei conciliando isso e vou dar mais ouvidos aos amigos que nos puxam para fazer um som e que ficam no nosso pé para o El Touch 77 voltar a tocar, e pretendo dar continuação a banda, mas, por enquanto estou preparando umas canções para o “Camisa Surrada” para ver o que vai sair desse lance. O esquema que anda dificultando no momento é a falta de baterista, sempre é um problema, principalmente quando você fala que quer mandar um simples som punk, mais espero que apareça um ou acharemos nesses shows Undergrounds da vida aonde cola gente inteligente, cheias de espíritos bondosos e com boas influências.

8-Obrigado pela parceria e amizade. Deixo agora o espaço livre pra você falar sobre o que quiser:
Jorge Afonso - Eu que agradeço a parceria Nem, fico feliz por você estar movimentando a cena underground, não deixando a peteca cair, fico feliz mesmo! Agradeço pelo espaço que você estar me dando aqui no seu blog e falar que acompanho direto as entrevistas que se passam por aqui. Dizer ao pessoal ai que cola nos shows, gigs, acompanham a cena de qualquer uma outra maneira, para que continuem nessa de apoiar, tantos as bandas como o público é que faz a cena se fortalecer e se manter firme. Sem tretas, sem intrigas bestas, sem policiamentos com as bandas, com respeitos, sem preconceitos. A turma dos fanzines, ou os meros expectadores, a turma das banquinhas de cd´s, das produções, continuem nessa fortalecendo o Underground. No mais espero ver esse blog bombando com mais outras entrevistas e força ai com a Cama de Jornal que de uma maneira ou outra influênciou a mim e a outras pessoas. Fiquem na Paz! Obrigado!

5 comentários:

Glieldson Alves disse...

Massa a entrevista... Saudades desse Roqueiro... Bom Saber mais sobre seus projetos lá em Goiana... Salve!!!

Karioka Punk disse...

Jorge kiev
massa a matéria Nem !
é nós nas parcerias
e Under até o osso e punk na pele!
parabens !

GBU disse...

Fiquei devendo falar da coletãnea com IRÔNIKA, BANDOGZ, pois era muita coisa para falar, e eu perdi a fita!

consciência suburbana disse...

Muito massa mesmo ae. Parabéns pelo grande trabalho. Nós do Consciência Suburbana tivemos o previlégio de estarmos em muitos desses projetos. Só temos a agradecer e dizer vida longa ae mano, Saúde e paz sempre.

allisson carlos teixeira disse...

Grannnde Punk do Nordeste, tem talento sobrando nesse maluco aí, brotherzão mesmo. éns // allisson