domingo, 26 de agosto de 2012

Entrevista com a banda Subviventes

O Papo hoje foi em dose dupla com o Valter Abutre e o Rafael Garrafa, baixista e Guitarrista respectivamente, da banda Subviventes. Na ativa há quase 25 anos fazendo o bom e velho punk rock, nessa entrevista eles falam um pouco sobre a história da banda, gravação do disco novo, participação em novela de TV, dentre outros assuntos. Acompanhe aí esse bate papo:
Valter Abutre e o Rafael Garrafa da banda Subviventes

1-A banda surgiu no ABC em 1988. Como era o cenário daquela época?
Abutre- A cena Punk no ABC em 1988 era muito forte, várias bandas surgindo e outras se desfazendo, existiam vários grupos punks no ABC, como os “Punks Carniça”, do Jardim Sonia Maria em Mauá, um dos grupos mais numerosos na época com cerca de 300 integrantes, os “Metralhas” com pouco mais de 15 integrantes, os “Canibais” também com uns 15 integrantes e os “Vermes” do Bairro Capuava, somando um número bastante expressivo na cena PUNK do ABC; havia o grupo dos “Carecas” também, mas eram nossos inimigos como sempre, e eles jamais se metiam a besta com os punks do ABC paulista. Existia vários trabalhos dos Punks como: produção de zines e jornais libertários e vários atos contra o Estado e suas instituições, saíram daqui grupos existente até hoje no cenário e que são muito importante para a cena, como o “Anacopunks” e outros grupos que se manifestam até hoje.
Subviventes agindo no underground!!!
2-Como foi a escolha do nome Subviventes?
Abutre- A banda Subviventes surgiu com a separação ou fim de três bandas da época; a saída de dois integrantes da banda DZK, o Bozó e a Vera, e o fim da banda Rajadas, a qual o Abutre fazia parte, e o fim da banda Miseráveis Punks a qual o Daniel fazia parte, todo esse pessoal ensaiava no mesmo local e decidiram montar uma banda já que Vera era vocalista, Bozó era guitarrista, abutre era guitarrista também mais assumiu o baixo e Daniel baterista, só faltava um nome para banda, surgiram vários nomes mais nenhum se enquadrava com os nossos padrões de vida, ai o Bozó disse; "tem que ser um nome que tem a ver com o modo de vida que levamos", que era a vida operária, pois todos os integrantes eram metalúrgicos, menos a Vera, dai o Daniel falou; "nós somos subviventes por viver abaixo dos padrões normais do que deveria ser, que tal?" o Bozó disse é esse o nome da banda.

3-A banda durante esse tempo teve alguma mudança de formação?
Rafael- Sim, em 1990 o Bozó e a Vera deixam a banda, assumindo, assim, o vocal e a guitarra o Cleiton, que já havia entrado logo após o início da banda como guitarrista. Em 1992 entra o Rafael, como guitarrista também; essa formação permanece até 2001 quando o Daniel resolve deixar a banda, onde o Vermeio assume a bateria, em 2008 o Cleiton deixa a banda e o Galeão assume o vocal.
Subviventes da esq. p/ dir.: Rafael, Abutre, Vermeio e Galeão.
4-A banda lançou o primeiro CD "Lutar" sete anos depois de formada. Qual o motivo?
Rafael- O único motivo foi a falta de dinheiro, pois tínhamos muitas músicas para gravar, tanto que algumas músicas não entraram no 1º CD ficando para o 2º; lembro-me que fizemos um rateio fudido entre nós para conseguirmos o valor para gravar e prensar 500 cópias, na época era muito caro para gravar e prensar, não havia reproduções caseiras, tampouco a quantidade de estúdios que existem hoje.
Primeiro lançamento do Subviventes - 1995
5-E com esse trampo na rua, qual foi a repercussão?
Rafael- Foi ótima, começamos a tocar em mais lugares e podíamos enfim, divulgar nosso trabalho com qualidade, pois antes havia apenas uma fita Demo gravada em ensaio, houve também um trabalho de divulgação maior por conta do CD, havia rádios alternativas no ABC que tocavam direto nossas músicas, mandamos o material para vários lugares para divulgação como, Fanzines, revistas, MTV e etc, até que uma produtora que existia aqui em Santo André, chamada Cameratti, de propriedade do cantor Belchior resolveu fechar com a gente para distribuírem esse CD em uma escala maior, onde foi relançado com uma nova capa e com mais duas músicas.

6-Quatro anos depois é lançado o segundo CD "Tão forte quanto o tempo". Esse foi um CD que continuou na mesma linha do primeiro, ou foi uma nova fase da banda?
Rafael- Acredito que foi na mesma linha sim, pois estávamos na mesma pegada, porém um pouco mais maduros musicalmente e com uma experiência de gravação que não tínhamos no 1º CD, e como disse, algumas músicas tinham sido compostas antes do “Lutar” mas não entraram nele.
CD lançado em 1999
7-É verdade que vocês tiveram uma participação em uma novela da TV? Como foi isso?
Rafael- Sim, fomos convidados por dois atores que formavam um casal de roqueiros, onde na trama da novela o rapaz era discriminado pela família por gostar de rock e por se envolver com uma garota roqueira, a novela se chamava “Metamorfoses” na Rede Record, como havia acabado de lançar o nosso 3º CD “Até que o dia aconteça” achamos que seria interessante para a divulgação da mensagem do nosso trabalho a um público diferente, assim fizemos uma participação nas gravações de uma cena em que eles se encontravam em um bar onde nós estávamos tocando ao vivo, na gravação escolhemos por tocar a música “Pode Ser?” e em outras duas cenas utilizaram mais duas músicas nossas.
Rafael Garrafa - Subviventes
8-Vocês já tocaram com bandas consagradas como 365, Cólera, GBH dentre outras. Como é tocar com bandas que com certeza influenciaram vocês?
Rafael- Cara é muito legal poder dividir o palco com bandas as quais você curti e se influencia, você pode trocar idéias com os caras e conhecer um pouco mais de cada um, com o GBH por exemplo; após o show ficamos bebendo no bar e trocando idéias, muito a pampa mesmo, com o Anti-Nowhere League, trocamos materiais e umas idéias também, os caras do 365, DZK e Cólera são grandes camaradas.

9-A banda procura em suas letras abordar os ideais libertários, o problema da desigualdade social, o combate a todo e qualquer tipo de racismo. Mas ao mesmo tempo deixa uma mensagem positiva para um mundo melhor. De onde vocês acham que deve partir a mudança?
Abutre - Qualquer tipo de mudança tem que partir da espontaneidade, somente o ato espontâneo e consciente pode trazer mudanças verdadeiras, a mudança forjada não é mudança em minha opinião, é imposição de regras e leis que favorecem apenas a minoria, por isso acreditamos na mudança de baixo para cima com a revolução social proletária, mais nunca ditadura, seja lá de quem for sempre será ditadura e quem sofrerá as consequências é sempre quem está em baixo. A mudança se estabelecerá na opinião da banda com a ressurreição dos valores inerentes ao homem, valores esses, que foram esquecidos por conta das imposições capitalistas que imperam em nossos tempos, baseado nesses valores que são; a reciprocidade, o respeito à vida em geral, a solidariedade e a compreensão mútua, é que a mudança virá, e é nisso que acreditamos.
Vermeio na bateria
10-Como é a composição na banda, quem escreve as letras, quem coloca os acordes?
Rafael- No “Lutar” as músicas são do Bozó, do Abutre e do Cleiton, eles compunham sozinhos as letras e as melodias em casa, e as apresentavam à banda no ensaio, no “Tão forte quanto o tempo” gravamos algumas que não entraram no 1º CD, e o Cleiton e o Abutre compuseram outras a mais, já no “Até que o dia aconteça” eu compus algumas músicas sozinho, outras o Cleiton compôs, outras o Abutre compôs, e algumas criamos em parcerias nós três, há também umas três ou quatro músicas que fizemos em parcerias com pessoas que são amigas da banda.
Clipe da música "Já basta"

11-O que vocês andam ouvindo ultimamente?
Rafael- Cara ouvimos muitas coisas mesmo, os mais variados estilos, várias bandas Punks em comum como: The Clash, Ramones, Stiff Little Fingers, 365, Cólera, The Jam, 999, e etc, e outras mais particulares, por exemplo; eu escuto bastante Hardcore e Thrash Metal como; Madball, Sick of It All, Slayer, D.R.I, o Vermeio sei que ele gosta de umas paradas Rock como; Rush e Motorhead, o Galeão gosta também de algumas bandas de Rockabilly e SKA, e o Abutre curte bastante bandas da fase do inicio do Punk, essa diversidade de gostos musicais, aliada aos gostos em comuns, é que achamos importante para o processo de composição das letras e melodias da banda.
Galeão dando voz ao Subviventes
 12-Quais os planos daqui por diante? Algum material novo no forno?
Rafael- Sim, já estamos com o material quase pronto para a gravação do 4º CD que pretendemos lançar no 1º trimestre do ano que vem, algumas músicas já estamos tocando ao vivo, também para o ano que vem pretendemos lançar um CD gravado ao vivo e um DVD com a história da banda através de entrevistas, fotos, trechos de shows ao vivo e etc, tudo em comemoração aos 25 anos de existência ininterrupta da banda, sem parar em nenhum momento.

13-E quando rola algum material novo, vocês disponibilizam na net? O que vocês acham da internet como ferramenta de divulgação de bandas?
Rafael- Sim, temos os 3 CDs disponibilizados na Internet, e pretendemos lançar o 4º trabalho também, quando estiver pronto, acho de suma importância a Internet para a divulgação de bandas e de cultura e informações em geral, é uma ferramenta que, incontestavelmente, leva ao acesso de muitas coisas as quais antes não tínhamos, com tal velocidade e a custo, por vezes, zero.
Clipe bacana com a letra na legenda

14-Agradeço a atenção... Agora o espaço é de vocês para divulgar, esclarecer, repudiar...
Rafael- Quero agradecer a todos que ao longo desses 25 anos vem ajudando a banda na divulgação e indo aos shows nos dando total apoio, posso dizer que para nós tudo está valendo a pena, a todos aqueles que lutam pelos ideais libertários, pois somos uma banda que acreditamos em uma sociedade onde exista a liberdade plena, de maneira que todos os seres vivos possam coabitar o planeta com respeito e harmonia, e a você Nem, quero agradecer a oportunidade dessa entrevista e o apoio dado a nós e também parabeniza-lo pela banda e pelo blog, valeu mesmo irmão, conte sempre conosco.
Abraços Libertários a todos!
Site Oficial:

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